Tudo tem o seu custo

O locador de equipamentos deve não só conhecer todos os gastos relativos ao uso das máquinas, mas também incluir tais despesas no valor final do aluguel

Uma das tarefas mais árduas para quem trabalha com a locação de equipamentos para a construção civil é definir o preço que será cobrado pelo uso das máquinas. A dificuldade reside principalmente em mensurar corretamente todos os custos relativos aos guindastes, escavadeiras ou quaisquer outros aparelhos a serem alugados. Afinal, a diferença entre tais despesas e o valor final oferecido ao mercado representa o lucro que o empresário vai extrair da negociação.

Os gastos do equipamento são compostos pela soma dos custos de propriedade (depreciação e juros), de manutenção e de operação (combustível, operador, lubrificação, pneus, energia etc.). No caso de máquinas elétricas, o custo horário da energia responde pela totalidade desse valor, conforme o engenheiro Aldo Dórea Mattos propõe no livro Como Preparar Orçamentos de Obras, publicado pela Editora Pini.

De acordo com a obra, a depreciação, que representa parte importante dos custos de propriedade, é a perda de valor conforme o tempo e o uso do equipamento. Essa variável independe do estágio de conservação em que se encontra e corresponde à divisão do preço quase total da máquina no ato da compra pelo seu tempo de vida útil. O dividendo nunca é de 100% porque todos os aparelhos possuem um valor residual, que é definido pelo empresário com base no tempo de uso, nas condições físicas e em outras circunstâncias. “Essa taxa pode ser de 10%, por exemplo. Nesse caso, 90% do valor da máquina sofre depreciação ao longo dos anos”, explica o engenheiro, que também é consultor e autor do blog Engenharia de Custos.

A vida útil corresponde ao tempo necessário para obter retorno em cima do capital investido na compra do aparelho. Para fins de Imposto de Renda, a Receita Federal define que máquinas e equipamentos têm anos de vida útil, mas no cálculo da depreciação esse número varia. Por exemplo, uma betoneira possui cerca de cinco anos, a uma média de 2 mil horas de vida útil por ano, enquanto um trator de esteiras tem de quatro a seis anos (dependendo do uso) com igual quantidade de horas “trabalhadas”, segundo o livro de Dórea Mattos. Para calcular essa variável na equação de custos, o empresário deve multiplicar o número de anos em que o equipamento está em operação pela quantidade de horas anuais de utilização.

O custo de propriedade também depende dos juros básicos da economia, assim como os que são praticados pelo mercado. Funciona da seguinte forma: se fosse aplicado em investimentos, o dinheiro gasto na aquisição do equipamento teria certo rendimento. Se esse valor não for incluído nos custos da locação, alugar a máquina pode acabar sendo uma operação menos lucrativa do que deixar o dinheiro parado no banco. “O empresário também precisa analisar o ambiente financeiro para precificar o seu serviço, caso contrário pode ter pouco valor agregado no aluguel”, afirma o professor de engenharia econômica do Mackenzie Agostinho Pascalicchio.

Operação e manutenção

Os custos de operação são relativos aos gastos necessários para que a máquina realize a sua atividade no canteiro de obras: pneus, combustível, energia, mão de obra, lubrificantes e afins. Para calcular as despesas com combustíveis, o empresário deve considerar não apenas o preço, mas também a potência do equipamento, o fator de eficiência – ou seja, a porcentagem de eficácia do motor em uso baixo, médio ou intenso – e o consumo por hora trabalhada. No caso da energia, a potência é expressa por quilowatts, que equivalem a 3/4 de 1 HP (horsepower, unidade referencial de medida).

“O locador precisa ter noção desse número. Por isso, recomendamos manter o controle por equipamento individualmente em vez de controlar por categoria”, diz Dórea Mattos. Ele aconselha que o empresário leia sempre os manuais, que fornecem os consumos médios dos motores, para determinar com precisão o consumo do combustível. A mesma coisa deve ser feita para definir os gastos com os lubrificantes, que têm uma particularidade importante: os óleos de transmissão, comando final e sistema hidráulico geram 50% mais custos que o de cárter.

Despesas com graxas e filtros também podem ser incluídas nos custos de operação. Idem para os pneus, que estão presentes em motoniveladoras e outras máquinas. Para definir os gastos com eles, o empresário deve ter em mente que a troca é realizada em conjunto, ou seja, mudam-se todos de uma vez só. Uma equação possível para calcular esse custo, proposta por Dórea Mattos em seu livro, é formada pela multiplicação entre o custo de cada unidade e o número de rodas do equipamento, dividido pela vida útil do material.

Os gastos com mão de obra também são importantes para o custo do equipamento e se dividem em duas categorias excludentes entre si: os contratos firmados com terceiros para a realização de trabalhos como transporte e operação da máquina ou os gastos com pessoal, na hipótese de que essas atividades sejam de responsabilidade da mão de obra da empresa. Neste último caso, todos os encargos sociais e trabalhistas dos funcionários envolvidos devem entrar na conta.

Já os custos com manutenção envolvem a limpeza, a regulagem, a troca rotineira de peças e outros serviços de reparo. Os gastos com oficina, como mecânicos e ferramentas, e o pagamento de seguros e impostos diversos (o IPVA, por exemplo) também compõem esse item, entre outras despesas. São calculados pela seguinte fórmula: o valor de aquisição é multiplicado por um coeficiente de depreciação, fornecido pelo fabricante do equipamento, dividido pela vida útil em anos vezes o número de horas de utilização em anos.

Há ainda outros gastos do empresário que não entram em nenhuma das categorias mencionadas acima. “Às vezes, ele deve fazer despesas de marketing: almoçar com um possível locatário, participar de eventos e convenções, viajar para fazer negociações e assim por diante”, explica Pascalicchio. São custos importantes e devem ser incluídos na conta.

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