Olhar atento

Congresso Nacional de Valorização do Rental apresenta o tamanho aproximado do mercado de locação no Brasil e destaca os rumos da economia

O mercado mineiro de locação de equipamentos, que emprega 27 mil pessoas, obteve um faturamento estimado de R$ 3,2 bilhões em 2015, o que representa um crescimento de 18,5% em relação ao ano anterior, que registrou R$ 2,7 bilhões. Os dados foram divulgados no Congresso Nacional de Valorização do Rental, promovido pela Associação Brasileira dos Sindicatos, Associações e Representantes dos Locadores de Equipamentos, Máquinas e Ferramentas (Analoc) durante o Construction Summit 2016.

A pesquisa, apresentada pelo Sindicato das Empresas Locadoras de Equipamentos, Máquinas, Ferramentas e Serviços Afins do Estado de Minas Gerais (Sindileq-MG), teve apoio do Ibmec e foi concluída em maio deste ano. Mais de 300 empresas foram entrevistadas e forneceram informações importantes sobre o setor de locação no Estado, permitindo, assim, uma projeção estimada do tamanho do mercado no Brasil.

“Uma vez que a Analoc ainda não teve condições de fazer uma pesquisa nacional, fizemos a extrapolação dos índices de nosso estudo para o nível do Brasil considerando uma taxa de 10% – que é a média de representatividade do Estado de Minas Gerais no País em termos de população residente, PIB e índice de construtoras com mais de cinco funcionários – e o valor de contratações dessas empresas”, explicou José Antônio Souza de Miranda Carvalho, presidente do Sindileq-MG. “Sem a pretensão de trazer números exatos, chegamos aos seguintes dados: no Brasil há 270 mil trabalhadores nas empresas do setor, que geram faturamento de R$ 32 bilhões”, expôs. “Considerando a base do nosso sindicato, que tem 1.309 companhias, projetamos para o Brasil o número de 13.090 empresas no segmento”, completou.

Apesar do faturamento positivo alcançado no ano passado no mercado mineiro, Carvalho afirmou que neste ano a situação está difícil e que a expectativa do setor é pessimista, com 84% dos entrevistados dizendo que sua companhia deve ficar estagnada ou diminuir o faturamento e suas atividades em 2016, e 79% afirmando que não devem fazer investimentos.

“Precisamos restaurar a confiança do setor para fazer com que a engrenagem volte a se movimentar. O setor econômico precisa encontrar seu caminho para garantir a condição de trabalho e o retorno dos investimentos”, enfatizou Reynaldo Fraiha, presidente da Analoc. “Temos de ter um posicionamento claro do que é necessário para crescer. Só assim vamos sair da neutralidade e melhorar os pontos que exigem mudanças para o futuro do País”, acrescentou. “Nesse sentido, a Analoc busca trazer informação e desenvolver outros trabalhos para apoiar a locação no Brasil.”

Sobre os principais desafios, os entrevistados pela pesquisa do Sindileq-MG apontaram a baixa demanda como o principal obstáculo. Para Carvalho, no entanto, a concorrência predatória e a inadimplência merecem um olhar atento nesse contexto. “Pior do que a baixa demanda, acredito que esses dois pontos têm levado a essa piora nas expectativas do setor. Além disso, esses dois índices não são positivos, porque mostram que o segmento se acostumou com a questão do preço como fator primordial na oferta do serviço e, também, a não receber pelo serviço que oferta.”

Palestra em dose tripla

O congresso teve mais três palestras: “Proposta de Alteração da Lei de Duplicatas”, com o advogado Charbel Elias Maroun; “Liderança: Como Enfrentar a Tempestade”, ministrada pelo instrutor e consultor empresarial Henri Cardim; e “A Crise sem Economês: Desafios e Oportunidades”, com o jornalista econômico Luiz Arthur Nogueira.

Maroun falou sobre as formas de cobrança, defendendo a “extrajudicial” como a mais favorável. Negociação, conciliação, arbitragem e cobrança judicial também foram tópicos abordados, juntamente com explicações sobre processos de execução e pedido de falência. O advogado ressaltou a importância da atuação do setor de locação no Parlamento brasileiro. “Precisamos criar representatividade no Congresso, pois o Brasil é um país intervencionista. Portanto, sem articulação política torna-se difícil avançar”, afirmou.

O instrutor e consultor empresarial Henri Cardim deu um tom mais descontraído e motivacional ao evento ao falar das forças improdutivas do século 21: stress, ansiedade, insônia, desmotivação e depressão. O consultor descreveu alguns tipos de liderança e destacou o fato de que uma liderança responsável diz o que fazer, mostra como se deve fazer, deixa o liderado experimentar, observa o desempenho, elogia e redireciona quando preciso.

A palestra de encerramento, proferida por Luiz Arthur Nogueira, editor de economia da Revista IstoÉ Dinheiro, foi marcada pela interatividade e pelo dinamismo. Nogueira apresentou um panorama econômico e político externo e como o que acontece fora do Brasil pode nos afetar, ressaltando a importância de estar atento às eleições nos Estados Unidos, à desaceleração da economia da China, ao fluxo migratório na Europa e à saída do Reino Unido da União Europeia.

Ao fazer uma radiografia da situação econômica e política do Brasil, o jornalista afirmou que, em sua visão, o País já atingiu o fundo do poço. Para ele, a matemática da esperança tem como fatores reformas estruturais e equilíbrio fiscal, o que na realidade significa uma máquina governamental mais enxuta, e força política. O resultado é um choque de expectativas, o oposto da crise de confiança. “Quando a economia voltar, o crescimento vai ser muito rápido. Primeiro porque temos muita ociosidade, que vai ser preenchida rapidamente – e vamos ter empresas mais eficientes. A crise é horrível, é péssima, mas tem este lado bom: vamos sair mais fortes”, completou.

Em relação às oportunidades de investimento, Nogueira é otimista. “Tem dinheiro sobrando no mundo, e ele está esperando para entrar no País. Não conheço nenhuma nação do tamanho do Brasil, com o mercado que tem, que bem ou mal é uma democracia e, bem ou mal, as instituições estão funcionando. Ou seja, não conheço nenhum país com o mesmo potencial do Brasil para oferecer aos investidores estrangeiros. Então, assim que melhorar nossa imagem, esse pessoal vai entrar ‘babando’ aqui”, afirmou. “Só para vocês terem uma ideia, no mundo inteiro há US$ 1,2 trilhão em investimentos diretos. A América Latina recebe 13% desse total, e o Brasil representa 40% da América Latina. Se o mundo começar a olhar a América Latina com mais carinho – a Argentina, que está melhorando, e o Brasil, por tabela –, tenho certeza de que vamos voltar a debater por que está entrando tanto dólar e nosso câmbio está valorizando. Vamos ter aquele problema antigo, que era um bom problema”, concluiu.

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No site da Apelmat, você encontra outros destaques do Construction Summit 2016.

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