Estratégia: fio condutor

Por Nuno Antunes Ferreira*

“Estratégia é a direção e escopo de uma organização no longo prazo, capaz de obter vantagem para a organização através de uma correta utilização de seus recursos em ambiente constantemente desafiador, por forma a satisfazer as necessidades dos mercados e as expectativas dos ‘stakeholders’.” Assim Gerry Johnson, Kevan Scholes e Richard Whittington definem estratégia em Exploring Corporate Strategy.

Dado que todas as organizações se debatem com a necessidade de direcionamento e decisões estratégicas, é fato tal definição encontrar aplicação em nossas empresas, no governo de nossos países e, por que não, em nossas vidas.

No plano da discussão teórica, tudo isso é pacífico. Entretanto, quando vamos à prática tudo se complica. Tenho dificuldade em recordar qual foi a organização (talvez The Economist ou Harvard Business Review) que há algum tempo publicou o resultado de uma pesquisa feita com mil CEOs das maiores empresas em nível internacional. Confesso que fiquei surpreso quando vi o resultado – cerca de 70% não tinham qualquer preocupação com o longo prazo das companhias a cujos destinos presidiam.

Estão surpresos? Indignados? Com certeza e com razão. Agora pensemos no seguinte: dali a três ou quatro anos, pelo menos 70% dos inquiridos não estariam mais nas mesmas funções e/ou na mesma empresa. Aí tudo muda, não é? Infelizmente, isso é verdade no gerenciamento das empresas e dos países… e o resultado está à vista!

Há não muito tempo, numa conferência em São Paulo, lembro-me de ter dito que os nossos governantes são, com honrosas exceções, ignorantes do ponto de vista histórico. É perigoso o desconhecimento do passado e dos seus enquadramentos. É fundamental ter presente de onde viemos, o que já aconteceu e o porquê.

Para gerenciar profissionais, organizações e sociedades é preciso ter a noção de que a essência das pessoas não muda na velocidade da internet. Não se deve confundir agilidade, adaptabilidade e legitimidade em visar ao lucro, essenciais no mundo em que vivemos e ao desenvolvimento e crescimento das empresas, com ausência de valores e falta de escrúpulos. E, nesse sentido, é necessário o pensamento estratégico e a estratégia como linha condutora.

O estado da Europa e a total incapacidade de reação e de uma resposta, qualquer que ela seja, em face da gravíssima situação de mais uma onda migratória que a assola, mostra bem o que acontece quando nem um nem outra estão presentes.

Canteiro de obras

O Reino Unido é o país que maior desenvolvimento apresenta no conjunto da União Europeia. Como consequência, um crescimento acumulado de 13,2% no mercado da construção é esperado até 2017. A construção de habitações deverá ser um dos motores desse aumento. Adicionalmente, o governo tem no seu Plano Nacional de Infraestruturas um pipeline de projetos calculados em 562 bilhões de euros até 2019.

Na França, o Grupo Bouygues lidera a joint venture que vai ampliar o Porto de Calais, um dos mais movimentados da Europa, que será aumentado com a construção de um quebra-mar de 3,3 quilômetros. O projeto vale cerca de 670 milhões de euros e se desdobrará até 2020.

A empresa de pesquisas de mercado Off-Highway Research prevê um crescimento de 1% na venda de equipamentos de construção na Europa, em 2015, perfazendo um total de 125.704 unidades. Os dois mercados que evidenciam maior crescimento (3%) são a Alemanha e o Reino Unido.

Depois de anos de profunda recessão, os analistas preveem um crescimento de 17% para a Itália e de 35% para a Espanha. Em contrapartida, é previsto um decréscimo de 15% no terceiro maior mercado europeu de equipamentos, a França, seguida pela Suíça com -12%.

Para 2016 é antecipado um crescimento global de cerca de 4%, podendo os mercados de menor dimensão, como Portugal, Finlândia e até Espanha, crescerem dois dígitos.

A empresa suíça Implinia, que no ano passado comprou a divisão de construção da alemã Bilfinger, ganhou seu primeiro projeto na Suécia. Ele consiste na construção da circular alternativa de Estocolmo (Forbifart Stockholm Bypass), criando uma nova ligação norte-sul na capital sueca, com um valor de cerca de 220 milhões de euros.

 

*Nuno Antunes Ferreira, correspondente internacional da Revista Apelmat/Selemat, é especialista em marketing, vendas e negócios internacionais

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