Debate sobre ética: discurso versus atitude

Por Nuno Antunes Ferreira*

Uma das possíveis definições de ética, que encontramos no portal Brasil Escola, seria a de que é uma parte da filosofia (e também pertinente às ciências sociais) que lida com a compreensão das noções e dos princípios que sustentam as bases da moralidade social e da vida individual.

Um número crescente de cursos universitários tem a ética no seu programa curricular. A sociedade civil promove de forma consistente o debate sobre a questão no âmbito da vida corporativa, da cidadania, da medicina etc.

Por outro lado, pelo menos aparentemente, as empresas cada vez mais estão se preocupando com sua responsabilidade social (e certamente muitas a utilizam como elemento diferenciador na guerra competitiva). Assim sendo, não deixa de ser pertinente meditarmos sobre o porquê de tantas companhias terem um comportamento prático que contraria suas melhores declarações de intenção.

O caso da Volkswagen, envolvida em um escândalo de falsificação de resultados de emissões de poluentes que levou à renúncia do presidente executivo do grupo, em setembro deste ano, tem intensificado a discussão em vários pontos do planeta.

Vamos voltar um pouco no tempo. Estão recordados do escândalo da Enron? Falida há mais de dez anos, a empresa de energia norte-americana chegou a ser a sétima maior companhia dos Estados Unidos, mas protagonizou a maior fraude corporativa da história daquele país.

Lembram-se do seu lema marcante? “Respeito, integridade, comunicação e excelência”. Na sua definição de visão e valores, essa organização, que se intitulava “cidadão corporativo global”, afirmava lidar com os outros como gostaria que fosse tratada. E acrescentava: “Não toleramos tratamento abusivo ou desrespeitoso”.

A hipocrisia da atitude e do comportamento dos responsáveis pela Enron foi bem definida pelo professor Craig Johnson, da George Fox University, no trabalho O Colapso Ético da Enron: lições para educadores de liderança. Ele afirmou que “os responsáveis máximos da Enron abusaram do seu poder e privilégios, manipularam informação, (…) colocaram seus interesses pessoais acima dos interesses dos empregados e do público, e falharam na supervisão e na criação de respaldo contra falhas éticas”.

Em negócios não há santos. Se os houver, é até de desconfiar. Mas é certamente possível ganhar dinheiro, e muito, sem prejudicar tanta gente.

Canteiro de obras

A holandesa BAM foi indicada como a principal empreiteira para as obras de ampliação da Ferrovia Aberdeen-Inverness, na Escócia.

O projeto, financiado pelo governo escocês e com valor estimado de 231 milhões de euros, deverá começar na primavera de 2016 e terá a primeira fase (Aberdeen-Inverurie com via dupla em cerca de 25 quilômetros) terminada em 2019.

De acordo com os Serviços de Informações sobre Custos de Construção do Reino Unido, os custos de engenharia civil cresceram 0,7% no segundo trimestre de 2015, o mesmo que em igual período do ano passado. Para os próximos cinco anos, é esperado que esses custos avancem a um ritmo anual de 3,5% a 5%. Os valores de materiais e os salários crescerão também.

O grupo sueco Skanska reporta perdas de 68 milhões de euros na sua operação norte-americana, impactando os resultados do terceiro trimestre. Tal situação se deve primeiramente ao write-down (redução no valor estimado ou nominal de um ativo) relativo a seis projetos que sofreram alterações de design e fraca produtividade. Ainda assim, a empresa espera atingir um volume de negócios de 647 milhões de euros em 2015.

A Bouygues UK, braço do grupo francês Bouygues no Reino Unido, conquistou um contrato de 257 milhões de euros para a construção de um hospital em Londres. O projeto prevê o design e a construção de uma unidade hospitalar dedicada ao tratamento avançado de câncer e serviços de cirurgia.

O contrato foi concedido pela University College London Hospitals (UCLH) NHS Foundation Trust. Segundo Madani Sow, CEO da Bouygues UK, “é o reconhecimento da nossa reputação na construção de unidades de saúde na capital”.

A fabricante alemã de turbinas de vento Nordex vai adquirir a espanhola Acciona Windpower, braço de fabricação de aerogeradores da Acciona. O negócio vale 785 milhões de euros e prevê pagamento em dinheiro e compra recíproca de ações. Como resultado, a Acciona se tornará o maior acionista da Nordex, que tem um valor de mercado de cerca de 2 bilhões de euros.

 

*Nuno Antunes Ferreira, correspondente internacional da Revista Apelmat/Selemat, é especialista em marketing, vendas e negócios internacionais

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