A sustentabilidade e seus caminhos

Além de investir em tecnologias que minimizam impactos ambientais, a reciclagem é uma estrada que precisa ser trilhada

 

A Toyota Motor Corporation, em parceria com a Tsusho e mais nove empresas, desenvolveu uma tecnologia automatizada avançada de reciclagem de cobre contido dentro da fiação dos veículos. O grau de pureza do produto reciclado na operação é de 99,9%, tornando o componente reutilizável, mantendo suas características e propriedades.

A companhia já utiliza o cobre reciclado em parte de seus carros no Japão e tem a intenção de aumentar essa participação gradativamente para mil toneladas até 2016.

De acordo com estudos da montadora, a quantidade de cobre disponível no mundo abasteceria os diversos mercados que o utilizam apenas por mais 40 anos, tendo em vista que o recurso é finito e o consumo cresce. Por isso, a reciclagem e o reúso tornam-se cada vez mais importantes.

Hoje em dia, a reciclagem de veículos ocorre de maneira sistemática na Europa, nos Estados Unidos e no Japão. Veículos acidentados, com perda total ou sem condição segura para trafegar passam pelo processo.

Essas regiões abrigam as maiores frotas do mundo e contam com critérios e leis que caracterizam a condição de veículos em fim de vida útil, ou ELV (end of life vehicle), além de regulamentações que fazem com que a reciclagem possa ser realizada.

Segundo dados do livro Reciclagem e Sustentabilidade na Indústria Automobilística, de Daniel Castro, engenheiro e professor do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG), o balanço global da indústria automobilística no Japão mostra que em 2007 toda a frota de veículos daquele país atingiu 79,5 milhões de unidades. Desse total, 3,5 milhões foram reciclados (4,4%).

Em entrevista à Agência CNT de Notícias, Castro afirma que no país asiático a reciclagem dos carros deve chegar a 95%, sendo que apenas 5% dos materiais vão para aterros. A comunidade europeia pretende chegar a 95% até 2020, enquanto os Estados Unidos estão na faixa dos 80%. Já no Brasil, reciclam-se apenas 2%. “As sucatas ficam depositadas, durante décadas, nos pátios dos departamentos de trânsito, sem condições de serem processadas. Outras são levadas para desmanches ilegais.”

O que e por quê

Os benefícios da reciclagem ultrapassam a simples recuperação de materiais que serão desprezados. Em seu livro, Castro mostra que, no caso dos metais, o uso de reciclados reduz a necessidade de extração de minérios, diminuindo assim a emissão de gases do efeito estufa.

Outro valor agregado está na diminuição do consumo de energia em comparação com os mesmos materiais obtidos a partir de extração mineral. “No caso do aço, a redução de energia chega a 56%, do alumínio a 92% e do cobre a 90%”, aponta.

A diminuição da quantidade de água usada para obter materiais metálicos a partir da extração mineral é outro ponto positivo.

“Temos que pensar no meio ambiente, em nossos recursos e nas futuras gerações”, diz Lars Martensson, diretor de meio ambiente da Volvo Caminhões.

No entanto, esta não é apenas uma questão ambiental. Existem aspectos econômicos envolvidos. “No futuro poderá haver escassez de metais e, quando os preços subirem, será necessário reciclar mais ainda”, destaca Martensson.

Quase todos os materiais usados na fabricação de caminhões podem ser reciclados (veja mais no box). O aço é o insumo de maior proporção – representa cerca de 85% do peso de um caminhão.

Mercado

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) estima que cerca de 230 mil caminhões com mais de 30 anos rodem pelo Brasil. Com tecnologia ultrapassada, além de poluir o ambiente, geram maior risco de acidentes.

Segundo reportagem da Agência CNT de Notícias, de olho nesse mercado, as empresas de reciclagem de veículos projetam crescimento dos negócios neste ano. A JR Diesel, uma das pioneiras no País no ramo, espera um aumento de 20% na receita.

A criação do Centro de Reciclagem de Veículos em Minas Gerais, em Belo Horizonte, reforça o avanço do setor. Chamado de Mina Urbana Brasil e idealizado por Castro, deve começar a funcionar em 2015. Segundo estimativa do professor, cerca 90 mil veículos devem ser reciclados no Estado. “Não estamos deixando de lado a ideia de criar um centro que recicle veículos e caminhões. Seria interessante estender esse trabalho para os veículos pesados.”

Tecnologias amigáveis

No setor de linha amarela, a Caterpillar investe na remanufatura de componentes vitais, por meio da tecnologia CAT Reman, devolvendo-lhes a condição original e, com isso, reduzindo o descarte de peças. Uma fábrica destinada exclusivamente para isso foi inaugurada em 2013 em Piracicaba (SP).

A fabricante também investe em equipamentos com impacto ambiental reduzido. Os modelos produzidos no País são equipados com motores que têm a tecnologia Acert, que atende aos requisitos de emissões Tier III e Tier IV, os estágios IIIA da União Europeia e 3 do MOC, do Japão, considerados os padrões mais exigentes em termos de eliminação de emissões.

Assim como a Caterpillar, outras empresas afirmam que estão preparadas para atender à Resolução 433 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que visa a regulamentar a emissão de poluentes e ruídos.

A primeira fase do Proconve/MAR-1 (Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores/Máquinas Agrícolas e Rodoviárias), que entra em vigor em 2015, regula os motores de máquinas novas com faixa de potência igual ou superior a 50 hp.

Em 2017, passa a valer a segunda etapa, que envolve todos os motores destinados a máquinas de construção, tanto de produção nacional como importadas.

O MAR-1 equivale ao Tier III, dos Estados Unidos, e ao Stage IIIA, no padrão europeu. Isso significa que os motores off-road não poderão emitir mais de 3,5 g/kWh de gás carbônico e 4 g/kWh de hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio. Já a emissão de material particulado fica limitada a 0,2 g/kWh.

No que se refere à emissão de ruídos, o Mar-1 classifica os limites por tipo de equipamento, sendo que a medição será realizada em laboratório por órgão credenciado pelo Ministério do Meio Ambiente.

Segundo Thiago Cibim, gerente de suporte ao produto C&F da John Deere, os produtos desenvolvidos pela companhia são projetados para atender às rigorosas normas vigentes nos diferentes mercados onde a empresa atua. “Todos são certificados quanto à emissão de gases e ruídos, homologados pelos órgãos regulamentadores do País, cumprindo assim as normas brasileiras.”

“Grande parte dos motores que equipam as nossas máquinas no Brasil já sai da fábrica, localizada em Contagem (MG), com motor Tier III”, afirma Marcos Rocha, gerente de produto da New Holland Construction. “É o caso do trator de esteiras D140B.”

Atualmente, 75% do portfólio de produtos da Case no País já atende à norma de emissão de ruídos e 83% respeitam a regulamentação de emissão de poluentes.

“Para adequar os produtos à resolução do Conama, a CNHI, à qual a marca Case pertence, investe R$ 6,5 milhões em projetos de redução de emissão de ruídos e R$ 24 milhões em projetos de redução de emissão de poluentes”, detalha Carlos França, gerente de marketing da Case Construction Equipment para a América Latina.

Segundo Nei Hamilton, diretor comercial da JCB, a empresa trabalha no desenvolvimento de produtos com a preocupação na preservação do meio ambiente, principalmente na redução de emissão de gases. “Nesse sentido, desenvolveu os motores de geração Tier IV, antecipando-se às exigências das normas europeias de controle e redução de emissão de gases poluentes.”

 

Veja +

Confira no portal de notícias Apelmat a lista dos componentes de um caminhão que podem ser reutilizados, reciclados ou transformadas em energia. Leia também sobre o programa nacional de renovação da frota de caminhões, que deve ser lançado após as eleições.

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