Novos comandantes à vista

Em empresas familiares, o momento de passar o bastão para a geração seguinte é tão importante e complexo quanto é a arte de empreender, de fazer a empresa crescer e ser bem-sucedida.

Segundo o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), 90% das companhias em funcionamento no Brasil têm relações profissionais e familiares compartilhadas. Independentemente do porte ou do ramo, muitas vivem os desafios da troca de comando.

Na Real Terra, a participação da segunda geração nos negócios começou cedo. Luiz Carlos Vieira da Silva passou a ajudar o pai na área operacional aos 13 anos, logo que a empresa foi aberta, na década de 80. “No início, minhas duas irmãs ajudavam, mas depois de muitos anos uma delas nos deixou e foi trabalhar em outro segmento. Já a Andreia atua com locação de equipamentos, mas em Minas Gerais”, fala.

Comandando a Real Terra em São Paulo, Silva conta que a ligação dele e da irmã com o negócio da família aconteceu pela via da experiência. “Entramos e começamos a trabalhar”, diz. O conhecimento adquirido pela formação em administração de empresas contribuiu para que tanto ele quanto Andreia respondessem melhor às exigências e necessidades da companhia.

Para Silva, as diferenças entre sua geração e a de seu pai são evidenciadas pelo avanço da tecnologia. Porém, cuidar dos clientes, manter os equipamentos em ordem, gerenciar os custos de manutenção e contar com uma equipe organizada e que olha para o mesmo alvo é tão importante hoje quanto foi no passado.

Na Retrolula, “as coisas fluíram naturalmente”, diz Niájera Daniel, filha de Luiz Gonzaga, fundador da empresa. Engenheira civil, ela fez questão de trabalhar fora da companhia para ganhar experiência e vivência de mercado. “Depois de um tempo, vi que era hora de voltar.”

Ela e o irmão, Luiz, acompanham todas as fases da empresa desde crianças. “Tínhamos entre 7 e 8 anos e íamos até a antiga sede em Utinga para atendermos os telefonemas, numa época em que meu pai operava uma retroescavadeira. Depois começaram a surgir os primeiros funcionários”, lembra.

Atualmente, Niájera é responsável pela área de planejamento e Luiz, pelo setor de compras. “Os conflitos que ocasionalmente surgem são de fácil resolução”, afirma a executiva. “Meu pai tem a visão de que temos que acompanhar as mudanças do mundo e encara isso de uma forma positiva, o que colabora muito.”

Por falar em colaboração, na LM Terraplenagem, Lucy Britto passou a cooperar efetivamente na empresa depois de cobrir a ausência de Luizinho, seu pai. “Em maio de 2005, ele foi viajar e eu ficaria no escritório até que retornasse”, conta. “No fim, quando voltou, conversamos e comecei a trabalhar com ele”, completa Lucy, que, na época, abriu mão da carreira em um banco.

Lucy atua na área administrativa e financeira, além de ajudar no que é preciso em medições, cobranças, compras e contratos. “Obras e contratações ainda são com meu pai. Ele é quem dá sim ou não em relação à locação dos equipamentos e valores”, afirma.

Com mais de 30 anos de experiência no mercado, Luizinho permanece no comando dos negócios. “Ele tem um jeito maravilhoso de cuidar da empresa. Tento aprender para que, no dia em que assumir, possa conduzir tudo com o mesmo respeito e integridade.”

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