Otimismo na venda global de máquinas

A maior feira de equipamentos para construção das Américas teve recorde de expositores e visitantes de vários países

Na primeira semana de março, a cidade de Las Vegas (EUA), como é de costume a cada três anos, encarregou-se de abrigar a maior feira temática para construção dos Estados Unidos e das Américas. A Conexpo-Com/Agg & IPFE 2014 foi ponto de encontro mundial de empresários do setor e permanece no topo da lista da TOP U.S. Trade Shows divulgada pela Trade Show News Network (TSNN). Aproximadamente 220 mil metros quadrados de área de exposição reuniram desde peças, motores com controle de emissão e produtos de manutenção mecânica até equipamentos de logística, ergonomia, pneus, caminhões, equipamentos de linha amarela, lanças e guindastes.

“Os expositores apresentaram os mais recentes lançamentos do mercado. Foi uma oportunidade e tanto para as grandes empresas do setor como para aquelas que atendem a uma fatia mais específica do mercado. Marcas do mundo inteiro estavam presentes”, afirma Megan Tanel, vice-presidente da Association of Equipment Manufacturers (AEM), associação organizadora do evento. 

Atualmente, uma onda de otimismo invadiu os ares da América entre os profissionais da indústria em relação às vendas globais de equipamentos. De acordo com a AEM, houve 30% a mais de expositores em relação à última edição do evento, realizada em 2011. Diante da ascensão da economia dos países do Bric – Brasil, Rússia, Índia e China – e com os indícios da recuperação econômica dos Estados Unidos, a organização contou também com o aumento de público, tanto de visitantes americanos quanto de estrangeiros. Ao todo, aproximadamente 130 mil pessoas visitaram a feira, o segundo maior público de toda a história da Conexpo.

Foi bom para a rotatividade do mercado e ótimo para os avanços nos negócios. “A indústria da construção civil americana passou por momentos muito difíceis, com desemprego recorde. Porém, estamos otimistas sobre o futuro a partir deste ano e ansiosos para ver esses novos projetos e pedidos de vendas serem efetivamente entregues e cumpridos”, afirmou Megan. “O aumento da participação global de participantes e expositores ressalta a importância dos mercados mundiais para a nossa indústria. O setor de equipamentos já está pronto para a retomada”, completa.

A feira provou quanto as portas do mercado de equipamentos se abriram para o mundo e como a concorrência tem se acirrado nos últimos anos, principalmente em decorrência da expansão econômica chinesa. “O evento serviu também para reforçar o otimismo em relação à melhora nos negócios globais do setor, mas com uma projeção de competitividade nada hegemônica no cenário internacional”, destaca o presidente e chefe executivo da empresa americana de guindastes Manitowoc, Glen Tellock. O executivo foi nomeado para liderar a banca principal de diretores da Conexpo-Con/Agg 2014.

“Como representante da Associação Paulista dos Empreiteiros e Locadores de Máquinas de Terraplenagem e Ar Comprimido (Apelmat), pude perceber o cenário de locação de serviços da cidade”, comenta José Spinassé, diretor da Luna Transportes e um dos integrantes da comitiva brasileira que participou da feira. “O americano loca muito, até mesmo equipamentos pequenos, e existe um bom retorno para o setor de locação. Além disso, a cultura local, que é uma cultura do presente, e não do passado, contribui para esse quadro.”

Para a Apelmat, a participação no evento resulta em um saldo positivo. “Levamos o nome de nossa associação, a nossa bandeira, e mostramos que estamos de olho no que acontece em nosso mercado e nas inovações”, afirma Spinassé.

Lançamentos

O México foi um dos países da América Latina com mais expositores presentes na feira. A Odisa Concrete Equipment, que desde 1993 expõe suas usinas de concreto no evento, neste ano lançou a usina de concreto Odisa 2530 CM de misturação central, a qual oferece uma produção de 30 m³/h. A empresa também mostrou outros produtos, como a usina de concreto móvel Odisa 12, que produz até 180 m³/h, e uma revolvedora de concreto sobre caminhão de 8 m³ de capacidade.

Outras grandes empresas do renome no setor apresentaram seus produtos. A Caterpillar lançou uma série de equipamentos com tecnologia de ponta, como seus novos caminhões articulados da série C, 725C e 730C, as carregadeiras sobre rodas 966M, 972M, 980 e 982 M e as minicarregadeiras 770G e 772G, entre outros. Já a fabricante britânica JCB mostrou ao público um novo manipulador telescópico compacto, o 525-60 Hi-Viz.

Por sua vez, a Volvo Construction Equipment deu ênfase à nova tecnologia de seus motores Tier 4 Final/Stage IV, que, segundo a empresa, são mais econômicos e potentes. Além disso, a fabricante sueca lançou as novas gerações de escavadeiras E-Series, os caminhões carregadores G-Series e as carregadeiras sobre rodas H-Series.

A Case Construction Equipment apresentou uma série de produtos novos, entre os quais a linha de tratores de esteira da série M e algumas atualizações de escavadeiras, carregadeiras sobre rodas e equipamentos de compactação.

A japonesa Kobelco Construction Machinery também aproveitou a oportunidade para lançar no mercado norte-americano sua nova miniescavadeira SK55SRX, que, de acordo com a empresa, se sobressai por sua potência e seu raio de giro curto.

O destaque da chinesa LiuGong foi a pá carregadeira 375B, uma aposta da empresa para conquistar mais espaço no mercado americano. O equipamento foi exposto em primeira mão na Bauma 2013 e, nos EUA, foi apresentado ao público com o motor Tier 4, que permite cumprir as estritas normas ambientais desse mercado.

A coreana Hyundai Construction Equipment mostrou sua nova linha de produtos da série 9A, que se centra nas melhorias de conforto e qualidade, e equipamentos com motor Tier 4. Já sua maior concorrente, a Doosan, divulgou o lançamento da carregadeira sobre rodas modelo DL550, para ser aplicada em mineração, e a escavadeira hidráulica DX140, que, de acordo com a empresa, deve se adequar ao segmento de locação devido ao tamanho mais compacto.

Spinassé, da Luna Transportes, conta que, de tudo o que pode ver durante a feira, o grande diferencial está na versatilidade apresentada pelos equipamentos de diferentes fabricantes. “Todos as máquinas têm implementos. Com o advento do engate rápido, até em equipamentos grandes, acima de 100 toneladas, o próprio operador pode tirar e colocar um implemento”, diz. “Hoje, com a mão de obra escassa, quanto mais versátil é o equipamento, melhor o custo da obra.”

Outro destaque, na visão de Spinassé, é a tecnologia que contribui em aspectos econômicos e em fatores ambientais e sonoros. “Além disso, com a tecnologia embarcada nos equipamentos, é possível monitorar via internet o estado físico da máquina. Assim, há uma transparência em relação ao uso do equipamento, o que para nós locadores é importante.”

Interatividade e eventos

Para reunir profissionais de 130 países e novidades de aproximadamente 2 mil empresas, o Las Vegas Convention Center foi dividido por setores: Gold, Premium e Platinum Lot. A terceira área teve toda a sua extensão reformada e, nesta edição, abrigou expositores que ofertaram produtos exclusivos para o segmento de reciclagem e demolição.

Os cinco dias de evento tornaram a agenda do visitante extremamente apertada para percorrer todos os pavilhões. A fim de orientar e organizar melhor as visitas, a AEM disponibilizou um aplicativo que funciona como um GPS da Conexpo 2014, além de ser abastecido por constantes atualizações da fanpage do evento em todas as redes sociais. O app funcionou nas plataformas Android e iOS, além de estar disponível para uso em PCs, tablets e smartphones. Outro recurso interessante foi o “My Show Planner”, que permitiu o pré-agendamento e a localização dos eventos e estandes para a visitação dos usuários.

Adicionalmente às novas tecnologias e produtos expostos nos estandes, um número recorde de atividades lúdicas, como apresentações e demonstrações, ocorreram ao longo desta edição da feira. Muitas delas contaram com a participação do público, que teve a chance de realizar test drives de máquinas em situações reais ou por meio de simuladores nos estandes.

Diferentemente de 2011, as empresas estavam preocupadas em promover seus produtos com mais objetividade, não só por meio do apelo ao entretenimento ou por atrativos nas áreas de exposição, como também com explicações técnicas e orientações bem detalhadas sobre a aplicação dos equipamentos lançados. Para isso, alguns vendedores eram verdadeiros showmen entusiasmados com seus microfones na mão, convidando a todos, em alto e bom som, para conferir as mais recentes novidades que cada um ofertava.

Já pelos lados britânicos da feira, mais precisamente no estande da empresa JCB, o show ficou por conta do tradicional espetáculo “dancing digger”, também conhecido como “balé das máquinas”. A apresentação, que existe há 40 anos, surgiu com o objetivo de demonstrar o desempenho e a qualidade dos equipamentos da marca. Hoje são mais de 50 demonstradores profissionais que foram especialmente treinados na Inglaterra para esse fim.

As sessões educativas também ocorreram durante todo o período da feira e foram divididas em nove segmentos: agregados, terraplenagem, desenvolvimento local, asfalto, concreto, gestão de frota, reciclagem e sustentabilidade, segurança no trabalho e desenvolvimento operacional. Esses programas visavam informar e qualificar empreiteiros, empresários, produtores de materiais de construção e consumidores potenciais.

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