Não se esqueça dos filtros!

Fazer a manutenção incorreta desses componentes pode causar problemas não só ao equipamento, mas ao andamento da obra e, acredite, até à saúde da empresa

Quem é dono de máquinas como retroescavadeiras e guindastes sabe que a checagem de itens como motor, pneus e freios é importantíssima no processo de manutenção. No entanto, poucos dão a devida atenção a componentes menos óbvios mas fundamentais tanto para a melhoria do desempenho quanto para o prolongamento da vida útil: os filtros, que têm a tarefa de impedir a entrada de impurezas nos sistemas de funcionamento.

Em escavadeiras, guindastes e outros equipamentos da construção civil, os filtros sofrem um forte desgaste por causa da grande quantidade de poeira nos canteiros de obras. Outro fator de estresse é o funcionamento estático, ou seja, quando o motor funciona mesmo com o equipamento em repouso. “Nesses casos a refrigeração é deficiente, o que exige mais do sistema filtrante”, afirma André Gonçalves, consultor técnico da MANN-FILTER, marca da MANN+HUMMEL.

As situações citadas acima levam muitas vezes os filtros a se deteriorar mais rapidamente do que no tempo e na quilometragem definidas nos manuais dos fabricantes como ideais para a substituição. Por isso, os responsáveis pela manutenção de uma máquina têm que avaliar constantemente o estado das peças para saber qual é o momento certo de trocá-los. Outra providência importante é utilizar apenas produtos feitos por marcas renomadas no mercado.

Existem principalmente quatro espécies de filtros, semelhantes aos existentes em um carro comum: de ar, de óleo, de combustível e de cabine (semelhante ao de ar-condicionado). Este último tipo mantém a qualidade do oxigênio dentro do compartimento em que o operador trabalha. “Ele retém a entrada de pó, fuligem, gases nocivos e bactérias, proporcionando ar puro e prevenindo o surgimento de doenças respiratórias”, afirma o consultor.

Cada um desses componentes possui as suas particularidades e pode causar diferentes problemas no equipamento caso não esteja funcionando plenamente. Um filtro de combustível saturado, ou seja, usado além de sua capacidade, faz mal o trabalho de reter partículas como ferrugem e resíduos do tanque, além de separar a água do diesel. O resultado é a perda de potência da máquina, entre outros problemas maiores – em situações extremas, pode acontecer até o travamento do motor. Outra consequência negativa é o aumento da emissão de poluentes e do consumo de combustível, o que prejudica o meio ambiente e ainda eleva os custos da obra.

Um filtro de óleo com problemas pode resultar no surgimento da borra (solidificação do óleo), capaz até de fundir o motor se estiver em excesso no sistema. “O mais correto é substituir esse item toda vez que o lubrificante for renovado, visando a proteger o motor e não comprometer a qualidade da troca”, explica Gonçalves. Para o filtro de combustível, ele aconselha que a drenagem seja feita toda vez que for indicado no sensor de presença de água. Se possível, o componente deve ser verificado todo dia, antes mesmo de dar a partida no motor.

Já o filtro de ar, que impede a entrada de uma série de impurezas na câmara de combustão, merece alguns cuidados especiais. É proibido deixá-lo exposto ou à mercê de possíveis avarias: qualquer amassado, por menor que seja, possibilita a entrada de poeira, tornando o sistema de purificação ineficiente. Além disso, a peça não pode ser limpa por ar pressurizado.

Outras recomendações

Fazer a manutenção dos filtros é um trabalho de custo relativamente baixo para uma empresa, mas ignorá-lo aumenta muito a chance de se ter gastos extras. Além de reduzir o desempenho dos equipamentos, gerando perda dos materiais essenciais para o seu funcionamento (óleos, graxas, combustível…), pode levar à quebra de outras peças e até da própria máquina.

Normalmente, esse trabalho preventivo é realizado dentro da companhia, em departamentos chamados de lubrificação ou manutenção primária. A terceirização do serviço em questão não é uma decisão muito recomendável, segundo Gonçalves. “Se a mão de obra interna for eficiente, não há necessidade. Como os procedimentos costumam ser feitos com muita frequência, o risco de um erro aumenta, o que pode causar atrasos, despesas e outros transtornos”, assegura.

De acordo com o consultor técnico, a manutenção dos filtros deve ser realizada na grande maioria dos casos com base nas instruções do manual do fabricante. “Mas, caso o equipamento trabalhe em condições mais severas que o normal, a revisão precisa ser feita com mais frequência, em um tempo menor que o estipulado.”

É importante que as empresas consigam registrar o histórico de troca de filtros com o objetivo de analisar o desempenho das máquinas conforme o aumento do tempo de trabalho. Esse cuidado permite ter o controle da quantidade de trocas já realizadas e em quanto tempo elas precisaram ser feitas. Assim, é possível analisar se os produtos e serviços utilizados durante a manutenção respeitaram as normas estipuladas pelo fabricante.

Outro método eficiente para saber com precisão o momento certo de fazer o reparo dos filtros é por meio da análise do óleo. Esse estudo permite saber a real situação do motor, do óleo e se há problema com algum componente. A leitura do painel da máquina também é uma fonte importante de informações, já que pode indicar problemas com uma peça que necessite de reparos. “No caso do filtro do ar, algumas máquinas têm um sinal indicador de manutenção. Ele pode ser elétrico, exibido no painel da máquina, ou mecânico, por meio da verificação visual na saída do ar limpo. Essa checagem deve ser feita sempre”, afirma Gonçalves.

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