Trabalho, união e reflexão

Por Reynaldo Fraiha

O nosso País passa por uma crise político econômica, com efeitos jamais esperados e vividos, obrigando toda sociedade – partindo de famílias, entidades e empresas, mas principalmente do governo e dos governantes – a buscar novos meios de encontrar alternativas para além da sobrevivência, ou seja, caminhos para o desenvolvimento econômico e para a organização social e política.

Estamos presenciando empresas tradicionais brasileiras passando por situações inimagináveis até pouco tempo atrás. Sofremos por acreditar num processo de crescimento que pensávamos ser, como aludido pelo governo federal, sustentável no longo prazo. Foram feitas reivindicações pelo setor da construção civil para liberação de importação de máquinas usadas para abastecer o mercado que, de forma equivocada, alertava para a incapacidade de atender a uma grande demanda. E investimos a fim de estarmos abastecidos diante das obras que viriam. 

Os investimentos, sabemos, são de longo prazo e, naquele momento, eram adequados às empresas. Hoje, porém, vemos que essas companhias enfrentam queda significativa de faturamento, não conseguindo gerar caixa nem para cobrir os pagamentos das parcelas de seus financiamentos. Neste momento, as entidades de classe se tornam primordiais para a sustentação do setor, buscando formas jurídicas de apoio aos seus associados e levando orientação em relação aos ajustes necessários para uma adaptação ao novo cenário em que vivemos.

Devemos estar cientes de que hoje não há mercado para toda a frota existente e temos que nos adequar, mas sem tentar a qualquer preço aumentar a participação, pois isso leva a uma guerra de preços que inviabiliza ainda mais a sobrevivência das empresas. Enxugar as companhias, ajustando-as ao tamanho do mercado atual, tornou-se uma obrigação em virtude da turbulência no campo político e econômico, que não sinaliza para saídas no curto prazo.

O Brasil tem um enorme potencial de crescimento, e o nosso setor estará preparado para esse novo ciclo. Portanto, enquanto passamos por esse período delicado, precisamos nos unir cada vez mais e continuar acreditando na nossa nação. O momento requer muito trabalho, união e reflexão.

A divisão de forças em nada favorece o País – e é nele que nossas lideranças devem pensar, não em projetos pessoais que aprofundarão ainda mais a crise. Por isso, esperamos bom senso dos políticos, para que não seja prolongada esta fase terrível que todos nós, independentemente de classe social, estamos passando.

Estamos em um momento de reflexão, com a esperança de que a economia se recupere com a mudança de governo. Aqui não nos cabe avaliar o passado. Devemos olhar o futuro mantendo em perspectiva o presente que devemos construir juntos. Um voto de apoio e confiança ao novo governo é importante, e deve ser estendido às medidas necessárias que devem ser tomadas como a redução de ministérios, a adequação na máquina pública que tem um excesso de servidores indicados, e à transparência tanto em relação às ações como na admissão da atual situação da economia – antes superavitária e hoje deficitária. É hora de focar mais nos interesses do País e da sociedade, que pede maior organização com melhores mecanismos de gestão do poder público.

Além da esperança, nutrida diante do novo governo, há a oportunidade de encontrar o caminho da credibilidade, de voltar a usar nosso potencial produtivo, atrair investimentos que resultem em soluções para todos. Nesse sentido, o governo sinaliza com prioridades ligadas a investimentos em infraestrutura como locomotiva da economia e da geração de empregos. Nosso setor está pronto para contribuir produzindo e distribuindo riquezas junto com toda cadeia.

 

*Reynaldo Fraiha é presidente da Analoc – Associação Brasileira dos Sindicatos e Associações Representantes dos Locadores de Máquinas, Equipamentos e Ferramentas

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