Como evitar brigas entre sócios?

Por Carlos Renato Dias*

Ter um ou mais sócios pode ser um grande benefício, mas também pode gerar dor de cabeça. As grandes causas de brigas em sociedade decorrem de um planejamento mal elaborado ou mal executado. Quando existe um planejamento bem delimitado, com passos claramente identificados, prazos factíveis, custos e demais variáveis conhecidas e entendidas por todos, é menor a chance de discussões “acaloradas” sobre papéis sobrepostos e medição de poder, sobretudo quando a decisão de um sócio desagrada o outro, que poderia também realizar tal decisão.

Os sócios têm o mesmo poder de decisão, mas como fazer quando um não aceita a proposta do outro em determinado assunto? Por exemplo, um sócio deseja fazer empréstimo para modernizar a área de TI da empresa, mas o outro deseja esperar, guardar dinheiro e somente fazer a modernização quando não precisar do auxílio de empréstimos.

Em qualquer negociação, considerando-se que a façamos sempre como ganha-ganha, pressupõe-se que os lados presentes possam ceder em um ou outro ponto. Se existir intransigência de um dos sócios, pode ser interessante deixar a decisão final para outro momento. Se um assunto seguir sem uma definição acordada por muito tempo, o ideal é adotar algum parâmetro para mediação (dados, pessoas) e, assim, será possível um acordo mútuo. O ponto que destaco é que uma sociedade pede que essa negociação seja constante.

Se todos forem atuantes na empresa, deverão saber claramente seus papéis e responsabilidades, e nada melhor do que mapear o perfil comportamental e profissional de cada um (para isso, existem diversos métodos eficazes). Desse modo, se for realizado um processo focado na evolução, ou seja, com destaque para os pontos fortes de cada um, a aceitação do papel e a responsabilidade poderão ser facilitadas.

Um planejamento bem feito pressupõe que todas as variáveis sejam visitadas. O acordo de acionista é um dos elementos que devem estar mapeados, bem delimitados (com todos os itens claramente descritos e entendidos por todos) e acordados. Nada impede que o acordo seja realizado depois da sociedade estabelecida, porém considero que isso significa incluir ruídos em um dia a dia em movimento. Fazer o acordo nos momentos iniciais já irá identificar até se a sociedade terá grandes chances de sucesso.

Se um sócio considera que outro trabalha mais do que ele, é importante revisitar os planejamentos feitos e verificar se tudo o que havia sido acordado está, de fato, ocorrendo. Quando existe o foco no que foi planejado, e não em pessoas, possíveis entendimentos e ajustes são facilitados. Em uma sociedade, é normal que, em determinados momentos, um sócio trabalhe mais do que outro. Considere, por exemplo, que um sócio esteja com atuação no desenvolvimento de novos produtos, outro no marketing e um terceiro em recursos humanos. São papéis bastante distintos, com cargas de trabalho diferentes. Outra situação pode ser, por exemplo, a fraca presença de um sócio nas reuniões executivas.

Para resolver essa situação, considerando que todos sejam profissionais e responsáveis, é preciso identificar a raiz do problema e colocar na mesa para alinhamento. Caso seja algo recorrente, mesmo com esses alinhamentos realizados, será preciso analisar novamente os papéis e as responsabilidades de cada um. Em suma, para ser bem-sucedida, uma empresa deve ter metodologias, procedimentos e processos adequadamente desenhados e acreditados por todos. Uma empresa deve ser maior do que um ou outro comportamento inadequado e precisa ter mecanismos que consigam minimizar e eliminar essas situações.

 

*Carlos Renato Dias é sócio nas empresas Direção e Sentido Coaching e Treinamentos, e no Grupo BD Tecnologia

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