Bom para a natureza e para os negócios

A reciclagem de materiais se tornou um nicho de mercado interessante para os fabricantes de equipamentos destinados à construção civil

A sustentabilidade hoje está na pauta de todos os segmentos da atividade empresarial, inclusive na construção civil. Mais do que uma maneira de colaborar com a preservação do planeta e dos recursos naturais, o desenvolvimento sustentável se tornou uma fonte de geração de novos negócios. Empresas que lidam com gestão de resíduos, tratamento de água, energias renováveis e outros serviços representam um nicho de mercado significativo para os fabricantes de equipamentos, que têm lançado novas máquinas direcionadas para esse tipo de trabalho.

A Bomag/Marini, por exemplo, tem forte atuação no mercado de reciclagem de pavimentos, uma demanda crescente das empresas do setor interessadas em reutilizar materiais para preservar o meio ambiente e otimizar os custos de produção. O catálogo da Marini apresenta usinas gravimétricas e contínuas que permitem a adição de material de reúso na produção de misturas asfálticas a quente, segundo Walter Rauen de Sousa, CEO da companhia.

“A utilização de reciclagem de pavimento asfáltico pode substituir ou reduzir o uso de algum tipo de agregado virgem em uma nova mistura. E o sistema de reciclagem tem a finalidade de reincorporar o material oriundo de técnicas de fresagem”, explica. Segundo o executivo, esse processo é dosado por meio de um silo com sistema de célula de carga de pesagem e introduzido pela capa de reciclagem. “Desta forma, o aproveitamento do RAP (em inglês, pavimento asfáltico reciclado) é feito com economia, consciência ecológica e alta qualidade no produto final”, completa.

A Bomag produz recicladoras e estabilizadoras para reutilização de materiais a frio. Nesse segmento, a empresa destaca o modelo MPH 364, com peso operacional de 17 toneladas, largura de trabalho de 2.005 milímetros e motor de 360 HP. “No momento, não há nenhuma máquina comparável disponível para essa aplicação em qualquer lugar do mundo nessa categoria de peso”, afirma Rauen de Sousa. “É uma excelente escolha para projetos de pequeno e médio porte.”

A New Holland Construction, por sua vez, encontrou um mercado promissor nos mais de 2 mil aterros sanitários existentes, atualmente, em todo o Brasil. A fabricante está investindo fortemente na oferta de tratores de esteiras para as empresas responsáveis pelo descarte de restos orgânicos e industriais, atividade que se expande pelo País, especialmente nas regiões interioranas, após a implantação da Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos, em 2010. A legislação prevê a substituição dos lixões, que serão extintos, por esse modelo de tratamento de detritos.

“Os tratores de esteiras são os equipamentos mais usados nesses locais por causa da diversidade de trabalho que podem executar. Atuam com eficiência tanto na movimentação quanto na compactação e na terraplenagem”, garante Fernando Neto, especialista de marketing de produto da companhia. De acordo com ele, o modelo D180C destaca-se no portfólio da empresa para a operação nos aterros por apresentar peso operacional adequado para o serviço de compactação. “Ele também é sinônimo de produtividade máxima nesses locais por sua alta capacidade de movimentação (toneladas de material) e baixo consumo de combustível para um trator do porte de 22 toneladas (22 a 25 l/h).”

Outra grande aposta da New Holland para o segmento são as escavadeiras hidráulicas. “Elas são escolhidas pela força operacional para executar bem tanto atividades de movimentação como carregamento de materiais. Esse tipo de equipamento vem ganhando cada vez mais espaço em projetos e obras de diversos segmentos no Brasil”, afirma Marcos Rocha, gerente de marketing de produto da multinacional para a América Latina. “A máquina multiúso, que tem larga e comprovada utilização na construção civil, na indústria, no agronegócio e na mineração, tem se tornado uma preferência por causa da precisão na execução, do baixo consumo e da resistência.”

Rafael Ricciardi, especialista de marketing de produto da companhia, acrescenta que parte dos bons resultados obtidos junto aos aterros sanitários – nos últimos anos, mais de 30 máquinas da marca teriam sido vendidas com essa finalidade – se deve ao fato de que tanto os tratores de esteiras quanto as escavadeiras hidráulicas da empresa contam com transmissão hidrostática. Essa tecnologia faz com que menos componentes mecânicos entrem em contato com o material existente nos locais de descarte de resíduos, que são de alta agressividade abrasiva, reduzindo o desgaste e a necessidade de manutenção dos equipamentos. Outros recursos importantes dessas máquinas, segundo ele, são as cabines fechadas e com ar-condicionado, que protegem o operador do ambiente insalubre, e a movimentação feita por joystick, que dá agilidade à operação.

A Machbert, outra importante fabricante de máquinas e ferramentas para a construção civil no Brasil, destaca os rompedores hidráulicos e pneumáticos, além das caçambas britadoras, como os principais itens de seu catálogo destinados ao setor de reciclagem. “Vários produtos da nossa linha possuem aplicação direta nesse segmento, e observamos um aumento do uso deles para esse fim. Já comercializamos dezenas de equipamentos para esse mercado”, fala Roberto Fonseca, gerente comercial da companhia.

De acordo com Fonseca, esses equipamentos são utilizados principalmente para reutilizar o material de demolição ou desmonte de rochas em obras, minimizando os gastos com bota-fora e com transporte de escombros e restos de demolição. “Os nossos planos são de intensificar a divulgação desse tipo de aplicação para aumentar a cultura de reúso de material”, destaca. “Nosso desafio no momento é justamente disseminar a filosofia de reaproveitamento de escombros e de desmontes, assim como o incentivo ao investimento das empresas do setor nessa operação.”

Filão lucrativo

A Caterpillar, uma das empresas do setor de construção civil com maior presença na área de resíduos e reciclagem no País, atua principalmente em duas frentes: reciclagem da sucata metálica e movimentação de material em plantas e transbordos. “Temos departamentos de vendas e de apoio às vendas, com especialistas tanto do segmento de máquinas quanto de suporte ao produto dedicados a esse setor”, afirma Giovana Foerster, especialista em aplicação da área de produtos industriais, resíduos e florestais.

“Para materiais reciclados e sucata, os manipuladores de materiais (material handlers) são essenciais para a operação. Esses equipamentos possuem cabine elevada hidraulicamente para aumentar a visibilidade da operação e projetada com ergonomia e conforto para o operador, levando-o a focar apenas na produtividade. O sistema hidráulico é planejado para ter eficiência, confiabilidade e facilidade de controle, enquanto os motores têm desempenho otimizado, entregando potência e baixo consumo de combustível”, descreve.

A Caterpillar investe nesse setor não apenas no Brasil, mas em todas as regiões do mundo, por acreditar na importância da redução dos impactos ambientais e da melhoria da gestão de resíduos. “Cada tonelada de aço reciclado representa uma economia de 1,2 tonelada de minério de ferro, aproximadamente 150 quilos de carvão e 18 quilos de cal. Para cada tonelada reciclada de alumínio, 5 toneladas de bauxita deixam de ser extraídas”, afirma a especialista. “Minerais não são renováveis, logo, reciclar é preservá-los. Há ainda a economia de recursos energéticos, o que contribui para o meio ambiente de maneira sustentável”, enfatiza Giovana.

É claro que a questão financeira também importa. Nos dias atuais, em que a sustentabilidade ganha cada vez mais espaço no debate público e na vida empresarial, investir em reciclagem é explorar um mercado que gera publicidade positiva e é bastante promissor em termos de negócios. Os números comprovam: apenas no Brasil, o segmento de reciclagem metálica obteve receita de R$ 9,2 bilhões, reunindo mais de 3 mil empresas e com aproximadamente 1,5 milhão de empregos gerados. Além disso, todos os anos são processados 12 milhões de toneladas de sucata de ferro e aço.

No entanto, de acordo com Giovana, há muito a crescer, principalmente porque as empresas nacionais ainda não abriram totalmente os olhos para a importância da reciclagem. “Muitas organizações veem isso como mera gestão do lixo e, por isso, não investem em equipamentos apropriados. Muitas vezes pegam máquinas em segunda ou terceira vida para trabalhar com esse tipo de material, o que certamente irá prejudicar a produtividade e aumentar os custos operacionais”, explica.

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