Com atividade em queda, empresários da construção estão mais pessimistas, destaca CNI

As dificuldades enfrentadas em 2015 pela indústria da construção deixaram os empresários do segmento mais pessimistas sobre o primeiro semestre de 2016. A intenção de investimento caiu 1,3 ponto em janeiro na comparação com dezembro e registrou 25 pontos neste mês. As informações são da Sondagem Indústria da Construção, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta segunda-feira, 25 de janeiro. O indicador mensal varia de zero a cem pontos e, quanto mais baixo, menor é a propensão dos empresários para investir nos próximos seis meses.

Além disso, os empresários se mantêm pessimistas em relação aos próximos seis meses. O indicador de expectativa de nível de atividade caiu 1,6 ponto em janeiro na comparação com dezembro e chegou a 37,7 pontos, o menor valor da série histórica, iniciada em janeiro de 2010. Já o índice de perspectiva sobre o número de empregados teve queda de 1,2 ponto no período e atingiu 37 pontos em janeiro. O indicador de expectativa de novos empreendimentos e serviços, por sua vez, assinalou 37,1 pontos e o de compras de insumos e matérias-primas registrou 41,4 pontos. Valores abaixo de 50 pontos sinalizam pessimismo.

As perspectivas negativas são justificadas pelo fraco desempenho do setor nos últimos anos e a forte queda em dezembro na comparação com novembro. No último mês de 2015, a evolução do nível de atividade recuou para 33,3 pontos ante 36,3 pontos em novembro. Já o indicador de número de empregados passou de 35,7 pontos para 33 pontos no período. Quanto mais abaixo dos 50 pontos, maior a queda da atividade e do emprego.

A indústria operou em dezembro, em média, com 55% da capacidade de operação, o menor nível da série histórica iniciada em janeiro de 2012. Na comparação com novembro, houve queda de 2 pontos percentuais na utilização da capacidade de operação.

Condições financeiras

O levantamento mostra ainda que os empresários se mantêm insatisfeitos com a situação financeira no último trimestre de 2015. Os indicadores de satisfação financeira, que assinalou 36,4 pontos, e o de lucro operacional, com 32,2 pontos, continuam abaixo dos 50 pontos.

O índice de acesso ao crédito se manteve em 25,9 pontos, no piso da série iniciada no quarto trimestre de 2009. Por outro lado, os preços das matérias-primas continuam subindo, ao registrar 61,5 pontos. Valores acima dos 50 pontos sinalizam aumento nos preços. No entanto, esse indicador está 0,2 ponto abaixo do valor do terceiro trimestre de 2015 e 2 pontos inferior do índice do quarto trimestre de 2014.

Principais dificuldades

A carga tributária, a alta taxa de juros e a demanda interna insuficiente estão entre as principais dificuldades do segmento no último trimestre de 2015. Enquanto a carga tributária é o principal problema para 39% dos empresários, a taxa de juros é apontada por 36,9% dos entrevistados e a fraca demanda por 35,3%.

A demanda interna insuficiente foi a maior dificuldade para as grandes empresas no quarto trimestre, com 41,9% das respostas. Esse  problema cresceu de importância frente ao terceiro trimestre, quando era a quarta maior dificuldade para as grandes empresas. Já para as empresas de pequeno e médio portes, embora bastante assinalado, houve recuo nos percentuais de respostas.

“Uma das causas para esse comportamento pode ser o novo modelo de concessões de obras públicas, que visa aumentar a concorrência e a participação das pequenas e médias empresas nos programas de concessão”, destaca a Sondagem. “Além disso, os programas de Aceleração do Crescimento e o Minha Casa, Minha Vida, mesmo em um menor ritmo, ainda dão alguma sustentação para as empresas de menor porte da indústria da construção.”

Para as pequenas empresas, a alta taxa de juros foi apontada como o principal problema, com 34,9% das respostas.

Esta edição da Sondagem Indústria da Construção foi feita entre 4 e 13 de janeiro com 547 empresas, das quais 174 de pequeno porte, 248 médias e 125 grandes.

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