Socorro financeiro

6. Se o empresário busca expandir seus negócios usando crédito em bancos, quais passos podem ajudar a planejar e organizar esse processo?

Sérgio Cançado, da Caixa Econômica Federal Ter um bom planejamento, conhecer sua empresa, montar seu plano de negócios, identificar a necessidade (capital de giro ou investimento) e manter sempre em dia demonstrativos econômico-financeiros consistentes e confiáveis.

Roberto Lima, da Fundação Vanzolini Para acessar o mercado de empréstimos por meio dos bancos, a companhia deve procurar desenvolver o relacionamento com alguns deles. De preferência com mais de um banco, uma vez que o mercado de empréstimos, como muitos outros mercados, permite que um mesmo produto (recursos financeiros) possa ser cotado em diversos fornecedores.

Ao mesmo tempo, ao iniciar o relacionamento com uma empresa, os bancos procuram limitar o risco e, desta forma, oferecem limites pequenos de crédito. Com o desenvolvimento do relacionamento e na medida em que se torne um cliente tradicional, a companhia tem oportunidade de crescer na obtenção de recursos com o banco. Na prática, ela deve reportar sobre seu desempenho financeiro e as oportunidades de negócios que possam ser de interesse do banco.

 

7. Como é o processo de análise de crédito?

Davi Jeronimo, do Sebrae-SP As instituições do mercado financeiro, ao realizarem suas análises, classificam os chamados “Cs” do candidato ao crédito: caráter, capacidade, capital, colateral, condições e coletivo. Quanto maior a quantidade de informações organizadas e disponibilizadas pelos empresários, maior a possibilidade de conseguir financiamento. A parte mais importante é o relacionamento que a empresa tem com seu banco.

Roberto Lima, da Fundação Vanzolini A análise de crédito é feita principalmente a partir dos três demonstrativos financeiros básicos: o Balanço Patrimonial, o Demonstrativo de Resultados do Exercício (DRE) e o Demonstrativo de Fluxo de Caixa. Normalmente, são solicitados os demonstrativos dos três últimos anos e o do ano corrente até onde tenha sido levantado. O banco irá analisar a geração de lucros que a empresa está sendo capaz de fazer por período, os investimentos necessários e o nível e a forma de endividamento.

Ao analisar a geração do lucro, os bancos irão separar o lucro das operações – isto é, aquele que foi gerado sem o cômputo das despesas e receitas financeiras – do lucro final. Empresas com bom lucro operacional e com prejuízo final podem ser candidatas a empréstimos. Empresas com prejuízo no lucro operacional terão mais dificuldade de obter empréstimos.

Esse processo de análise é feito por uma área de crédito do banco. A concessão do recurso, por sua vez, passa sempre por um comitê que envolve todas as diretorias do banco. Nesse momento, o proponente do crédito tem que “defender” sua proposta perante um colegiado.

 

8. O que é e como chegar em uma estrutura ótima de capital? Quanto é possível tomar em termos de dívida com bancos para ajudar a empresa a crescer, mas sem comprometer a operação?

Sérgio Cançado, da Caixa Econômica Federal A melhor estrutura de capital é a que apresenta o menor custo ponderado entre todas as fontes de recursos que financiam sua atividade. Compare permanentemente seus indicadores com as demais empresas do setor. Planejamento e controle são essenciais. O valor a ser tomado deve ser coerente com o caixa operacional gerado pela empresa.

Roberto Lima, da Fundação Vanzolini As empresas devem observar dois fatores: sua rentabilidade operacional e o nível de endividamento. O mercado considera por demais arriscadas empresas que apresentem nível de endividamento oneroso (empréstimos + leasing) superior a quatro vezes seu Ebitda/Lajida (o Ebitda é o lucro sem considerar as despesas financeiras e sem as depreciações e amortizações).

Na medida em que a rentabilidade da operação seja superior ao custo dos empréstimos, a alavancagem (isto é, tomar empréstimos) é vantajosa. Outro aspecto a considerar é a manutenção de dívidas em longo prazo. Muitas empresas mantêm níveis elevados de endividamento, mas vão continuamente alongando os prazos das dívidas. A isso se chama administrar a liquidez. Empresas com alto nível de liquidez melhoram suas condições de custo dos financiamentos. Empresas cujas dívidas vencem em curto prazo têm maior pressão para negociar com seus credores.

 

9. Estrutura de capital: quais os erros mais comuns dos empreendedores? Quais cuidados tomar na hora de buscar financiamento para expandir o negócio e não comprometer o caixa?

Davi Jeronimo, do Sebrae-SP A empresa deve ter sempre como primeira alternativa levantar o dinheiro por suas próprias vendas ou pela organização de seu ciclo financeiro. Mas se essa organização não for suficiente para ajustar a situação financeira da companhia, ela pode solicitar um empréstimo para retomar os negócios.

Na composição de estrutura de capital, o erro mais comum é utilizar o capital de terceiros para capitalizar a empresa com juros altos e períodos curtos. Outra falha é achar que estocar produtos é saudável. Isso só se torna uma estratégia quando se trata de importação e a reposição pode demorar.

Outros erros são conceder créditos sem uma política de vendas para o cliente, o que pode ocasionar endividamento de curto prazo. Nesse caso, a empresa fica sem liquidez e acaba descontando recebíveis nas instituições de créditos com juros enormes. Comprar de fornecedor à vista, ou com pagamentos em período menores, também faz com que a empresa tenha obrigações de curto prazo.

Sérgio Cançado, da Caixa Econômica Federal Entre as falhas, estão a má gestão e a falta de rigor com as finanças da empresa, a ausência de segregação entre as finanças pessoais dos sócios e os recursos da empresa, endividar-se excessivamente no curto prazo e escolher uma linha de crédito inadequada para a sua necessidade.

Roberto Lima, da Fundação Vanzolini Os empreendedores, principalmente os iniciantes, muitas vezes entendem que conseguir recursos, mesmo que por empréstimos, pode vir a ser a solução para viabilizar seu negócio. Negócios em sua fase inicial não devem ser construídos com base em empréstimos. Principalmente aqui no Brasil, onde os custos são muito elevados (provavelmente temos a primeira ou segunda mais alta taxa de juros do mundo). Em sua fase inicial, o empreendimento tem que ser baseado em recursos dos sócios.

 

10. Quais as vantagens e exigências do Finame em relação a outras linhas de crédito?

Davi Jeronimo, do Sebrae-SP É um produto do BNDES repassado às instituições credenciadas, geralmente bancos de fomento, para compra de máquinas e equipamentos para empresas, seja qual for o seu porte e independentemente da sua localização no País. Financia até 90% do valor do bem no Sistema de Amortização Constante (SAC), e suas prestações ficam menores a cada pagamento. As empresas devem procurar a agência em que possuam contas jurídicas e solicitar para o gerente essa linha de financiamento. São considerados produtos financiáveis máquinas e equipamentos nacionais novos, inclusive caminhões e ônibus, com índice de nacionalização em valor e peso igual ou superior a 60%, constantes no Credenciamento de Fabricantes Informatizados (CFI), do BNDES.

Sérgio Cançado, da Caixa Econômica Federal As vantagens são baixa taxa de juros, grande diversidade de fornecedores, prazos adequados a investimentos, garantia do próprio objeto a ser financiado e intermediação por uma instituição financeira. As exigências são ter avaliação de risco pelas instituições financeiras, cumprir a legislação ambiental, ter capacidade de pagamento, não ter restrições cadastrais, estar em dia com as obrigações fiscais, tributárias e sociais, e o fato de o bem ser novo e de fabricação nacional.

 

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