Crise não é o fim do mundo!

Das finanças à alma

O gestor precisa saber como lidar com o abalo psicológico de seus funcionários, que é causado por fatores como a pressão intensa por resultados e o medo do desemprego

A crise brasileira não afeta apenas os negócios, mas também o ambiente interno de uma empresa. O medo do desemprego, a pressão por resultados positivos, a perda de benefícios e a falta de perspectivas para promoções e aumentos salariais são fatores, reais ou imaginários, que podem tornar o clima bastante desagradável entre os funcionários. Diante disso, de que forma o líder deve agir?

“O atual momento econômico exige que empresas busquem soluções em meio a um cenário de desconforto, mais do que financeiro, emocional. O chefe deve ter consciência de como responder às ameaças e às novas experiências em um ambiente de mudanças muito sensível, em que existem necessidades motivacionais e as reações têm que ser adequadas mesmo sob pressão e estresse”, afirma a psicóloga e coach Adriana Fellipelli.

A consultoria McKinsey aponta, por meio de pesquisa divulgada em janeiro deste ano, quatro medidas que devem ser adotadas pelos gestores para conseguir atender a essas exigências: dar apoio aos outros, trabalhar fortemente em busca de resultados, buscar pontos de vista diferentes e resolver problemas de maneira eficaz. Essas características foram observadas como comuns aos líderes mais bem avaliados de 81 organizações de segmentos e tamanhos variados da Ásia, Europa, América Latina e América do Norte.

O líder dá apoio a seus funcionários de maneira correta, de acordo com Adriana, quando age com transparência em relação à realidade da companhia e às ações que estão sendo tomadas para superar a crise. “As pessoas já vivem um momento de insegurança, incerteza e medo. Com o treinamento adequado, o gestor pode lidar melhor com esses sentimentos, sendo dele mesmo ou de seu colaborador”, explica.

Suportes eficientes para abordar essa questão já adotados por muitas empresas, alguns instrumentos são utilizados pelos departamentos de Recursos Humanos para aprimorar o autoconhecimento dos colaboradores. Alguns deles são o MBTI (identificação de tipos psicológicos com base nos estudos de Carl Jung), o método de avaliação multidimensional Birkman e o teste comportamental TKI.

Essas ferramentas traçam perfis dos funcionários e também podem servir como base para que o líder tome decisões que solucionem problemas de maneira efetiva e satisfatória, na medida do possível, para a sua equipe. Funcionam também como fonte de apoio para a conciliação de pontos de vista diferentes entre os seus colaboradores.

Nada disso é suficiente, porém, se o gestor não buscar resultados com urgência ainda maior do que em tempos de prosperidade econômica. Afinal, é disso que dependem não apenas a sobrevivência da companhia, mas também a de seu próprio emprego. Para fazer isso em uma atmosfera tão estressante quanto a de uma corporação em crise, Adriana recomenda a criação de um ambiente de trabalho onde a criatividade é estimulada, os líderes saibam recompensar e o colaborador possa aprender constantemente.

“Instrumentos existem, basta saber onde buscá-los. É possível promover mudanças mesmo em uma empresa conservadora, pois alterações desse tipo não dependem mais apenas da cultura organizacional hoje em dia. O líder precisa tomar novas atitudes porque, como diz um ditado chinês, ‘se você não mudar a direção, terminará exatamente no lugar de onde partiu’”, finaliza Adriana, que também é CEO da consultoria Fellipelli.

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