Funcionários felizes, empresa lucrativa!

Por Patrícia Atui*

Qual é o maior desafio dos pequenos e médios empresários atualmente no Brasil? Esta pergunta foi feita pelo Estadão PME para empreendedores e as respostas esbarraram na retenção de talentos, burocracia, impostos e a própria gestão do negócio.

Segundo o Presidente do Sebrae, um dos objetivos para 2015 é conscientizar os pequenos e médios empresários sobre a importância da capacitação como um investimento para a empresa.

Conforme as minhas enquetes em palestras que realizo regularmente para pequenos e médios empresários, uma das clássicas perguntas que faço é: quantos de vocês estão insatisfeitos com as suas equipes? E é sempre o mesmo cenário de respostas: 80 a 90% dos presentes levantam a mão e geralmente as perguntas que recebo da plateia ao término da palestra costumeiramente recaem sobre como melhorar o desempenho das equipes.

A minha resposta a esta pergunta é dada através de outras perguntas, sendo todas iniciadas pela palavra QUEM: quem recrutou? Quem selecionou? Quem orientou? Quem capacitou? Quem direcionou? Quem avaliou? Quem forneceu feedbacks constantes, quem isto, quem aquilo… e finalmente depois de ouvir muitos “eu” como respostas, chegamos juntos a uma simples e ao mesmo tempo dolorosa conclusão: o líder é o responsável por sua equipe e, portanto, deve assumir a responsabilidade sobre os resultados que ela apresenta e desta forma, se quiser melhorar este cenário, deve ser o primeiro da lista a mudar.

Toda mudança é delicada, mas torna-se inevitável, pois os funcionários refletem diretamente na margem de lucro da empresa. Funcionários felizes, realizam o trabalho com excelência, são eficientes e aumentam a produtividade, que é o fator que mais impacta nos resultados das empresas. O primeiro passo para a mudança do gestor é compreender o seu estilo de liderança e avaliar se é necessário rever se o estilo praticado é o melhor para desenvolver pessoas e engajá-las.

Líderes centralizadores são dominadores, não fazem perguntas porque já tem todas as respostas, são resistentes a críticas, e geralmente são temidos por suas equipes, pois estas têm receio de manifestar-se e desta forma se instala na empresa a “Síndrome da Branca de Neve”, onde o líder cria anões, isto é, equipes que não se desenvolvem, não são solucionadoras e se tornam dependentes. Existem ainda líderes com este perfil que são carismáticos e tem um lado humano bem desenvolvido e caem na armadilha de achar que o seu carisma e bondade compensará o seu estilo autocrático.

Líderes coaches são participativos, são bons ouvintes, encorajam as suas equipes a participar e a propor soluções para os desafios. Este perfil de líder se preocupa com o desenvolvimento das pessoas, criam verdadeiros sucessores para a empresa e estabelecem uma sinergia no ambiente corporativo, pois estimula a integração entre as equipes e desta forma obtém maiores resultados com o todo do que individualmente e assim propagam o envolvimento, o comprometimento e o compromisso de todos, estabelecendo uma relação ganha-ganha entre a empresa, líder e liderados.

A grandeza dos líderes verdadeiros está no dom de desenvolver equipes melhores que eles próprios e ter a humildade de deixar a luz dos holofotes virada para as suas equipes e não para si. O segundo passo a ser desenvolvido é o quociente de inteligência emocional, que permite o autoconhecimento das próprias emoções que proporciona o autorrespeito, autoconfiança, o aumento da autoestima e a amplitude para compreender os próprios sentimentos e dos outros, traduzindo em um aumento da valorização interna e externa.

Quando conhecemos as nossas emoções, podemos controlá-las e quando reconhecemos as emoções dos nossos liderados, podemos lidar com elas e ajudá-los a melhorar o estado emocional e desta forma, as equipes se sentirão melhores, consequentemente felizes, produzirão mais e irremediavelmente contribuirão para um clima organizacional mais atrativo, produtivo e que propiciarão maiores lucros para a empresa.

 

*Patrícia Atui é coach empresarial com certificação internacional pela Action Coach, Coach Ontológico pelo Instituto Appana Mind, Coach Executivo pela Sociedade Brasileira de Coaching, economista pela Universidade Mackenzie/SP e pós graduada em finanças pelo IPEP/SP

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