Visão panorâmica

A Brazil Road Expo apresenta diversas soluções voltadas para o setor de infraestrutura viária e rodoviária, além de fomentar debates técnicos, políticos e estratégicos. A Apelmat promoveu o Seminário Apelmat/Selemat de Equipamentos & Rental

 

A quinta edição da Brazil Road Expo, dedicada ao setor de infraestrutura viária e rodoviária, realizada em março, em São Paulo, registrou resultado positivo ao seu final. Nos três dias, a feira recebeu a visita de 6,1 mil profissionais, entre congressistas e visitantes, que tiveram acesso às novidades de alguns dos principais fabricantes e distribuidores de máquinas e equipamentos, bem como novas tecnologias voltadas para a construção de viadutos, pontes e túneis, drenagem, pavimentação (em asfalto e concreto), geotecnia, projetos, sinalização e gestão da malha viária e rodoviária.

De acordo com o gerente comercial da Brazl Road Expo, Fernando Merida, o evento deste ano superou as adversidades impostas pelo “mau humor” do mercado e foi um sucesso. “Além da variedade de produtos que as empresas apresentaram, o programa de conferências proporcionou um alto nível de debates técnicos, políticos e estratégicos”, ressaltou.

Para Marcus Welbi, presidente da Associação Paulista dos Empreiteiros e Locadores de Máquinas de Terraplenagem e Ar Comprimido (Apelmat), “a Brazil Road Expo impulsiona a busca por soluções”.

A exemplo das edições anteriores, a feira contou com um extenso programa de conteúdo, com diversas palestras divididas em nove diferentes programas.

A Apelmat, além de capitanear a ilha da linha amarela no centro de exposições, promoveu o Seminário Apelmat/Selemat de Equipamentos & Rental. No painel de abertura, Eurimilson Daniel, vice-presidente da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema) e secretário da Associação Brasileira dos Sindicatos, Associações e Representantes dos Locadores de Equipamentos, Máquinas e Ferramentas (Analoc), falou sobre o cenário atual do mercado de locação de equipamentos para construção civil, infraestrutura e mineração.

O executivo apresentou dados econômicos comparativos para pontuar que o País cresceu e a indústria, o comércio, os locadores e toda cadeia acompanharam esse crescimento.

Novos fabricantes, crédito a longo prazo, câmbio atrativo e a entrada dos importados contribuíram para expansão do setor. Como resultado, o número de empresas locadoras aumentou, assim como a frota disponível. “Estima-se que só na linha amarela o mercado de locação disponha atualmente de 30 mil equipamentos com vida útil de até seis anos”, contabilizou.

De 1994 a 2011, os preços subiram 300% e o suprimento de moeda em circulação cresceu 14 vezes. “Essa diferença é um indicativo de quanto a produção do País cresceu”, pontuou. Em 1994, o PIB era de US$ 550 bilhões e, em 2011, de US$ 2 trilhões. Nesse intervalo, o PIB quadruplicou. “O isso tem a ver conosco? Quando a economia cresce em tamanho, temos mais facilidade em adquirir bens e expandir.” E um detalhe: nesse período, não sentimos a inflação.

O contexto econômico no passado recente, porém, não foi tão vigoroso. Observa-se que em 2007 e 2008 o crescimento foi acima de 5%. Mas em 2009, mesmo com uma expectativa positiva, houve queda. E, em 2010, registrou-se crescimento de 7,5%. Nos anos que se seguiram – de 2011 a 2013 –, a média foi de 2%. “Nesse período, o governo ajudou a indústria com o PAC das máquinas”, lembrou. Enquanto isso, os locadores aumentaram a ociosidade. “O governo errou a mão; nunca fomos chamados para conversar.” Por fim, como todos sentiram, 2014 foi um ano complicado, “difícil de ser recuperado em 2015”.

Cenário incerto de investimentos

Antes da Operação Lava-Jato, havia R$ 458,9 milhões aplicados em obras de infraestrutura em andamento. Apesar da cifra vultosa, o Brasil poderia – e deveria – empregar mais recursos. O valor investido, considerando os últimos cinco anos, corresponde a 1,57% do PIB por ano. “É vergonhoso diante do tamanho do nosso País e dos impostos que pagamos. E o que efetivamente o Brasil tem que fazer é obra.”

Havia a previsão de empregar R$ 429,1 bilhões para obras em projeto e intenção, com previsão de data de início – pelo menos no papel e nas licitações – e R$ 281,4 bilhões para obras em projeto e intenção, sem previsão de data de início. Com a Operação Lava-Jato, a tendência é de mudança nesse prognóstico.

A baixa (ou nula) aplicação de recursos leva à fragilidade das empresas, falta de capital de giro, depreciação de ativos, queda nos preços, crédito restrito, concorrência favorável ao cliente, inadimplência, possibilidade de empresas deixarem o mercado. Enfim, à crise instalada.

“Hoje, o dia a dia do locador não é no canteiro de obra, mas na empresa lutando para manter o negócio”, falou Daniel. Equilibrar as finanças e a gestão passa a ser o grande desafio presente. Na visão de Daniel, para atravessar a fase atual é preciso adequar o custo ao faturamento, eliminar a improdutividade da equipe e da estrutura (pensar primeiramente no negócio), reavaliar investimentos já consolidados em uma nova realidade, valorizar a carteira em operação, ter cuidado com empréstimos (afinal, os juros são altos) e preservar a credibilidade da empresa no mercado. “O momento é de estabilizar com segurança; não de avançar”, finalizou.

 

Foco em negócios

De acordo com pesquisa feita pela Clarion Events, organizadora da Brazil Road Expo, quase 90% dos profissionais visitantes participam do processo de decisão nas organizações onde atuam. Cerca de 32% ocupam cargos como presidente, CEO, diretor e superintendente, e 36% estão em posições como a de gerente, chefe e coordenador.

Pela primeira vez presente no evento, o engenheiro Carlos Sonvesso, da empresa maranhense Construeng, que atua na construção civil viária e rodoviária há 20 anos, elogiou a estrutura e diversidade dos produtos apresentados. “Vim por indicação de um amigo. De fato, seguindo suas dicas, encontrei aqui excelentes oportunidades para implementar nos projetos em que atuo”, afirmou.

“É uma oportunidade de trocar experiências, difundir conhecimento sobre novas tecnologias e novos equipamentos”, disse o diretor de operações e engenharia da Companhia de Concessão Rodoviária Juiz de Fora-Rio (Concer), Ricardo Salles de Oliveira Barra.

Para o coordenador de obras da Prefeitura de São Paulo, Juarez Picerni, o importante na feira foi a apresentação de novas tecnologias. “Principalmente na parte de pavimentação e infraestrutura urbana, que é o que viemos buscar aqui. Com relação aos equipamentos, há algumas novidades interessantes que eu ainda não conhecia”, disse.

Assim como nas edições anteriores, a Brazil Road Expo trouxe para São Paulo empresas nacionais e internacionais, com produtos destinados às mais variadas aplicações. É o caso da LDA Tanques, que, ao participar do evento pela quarta vez, mostrou sua usina de asfalto móvel e o distribuidor de agregados. “Ao longo dos três dias, conseguimos fazer bons contatos que poderão nos render frutos em breve”, relatou gerente regional da empresa, Rodolfo Bitner.

Para o engenheiro Paulo Pinto, da Pavesys, companhia que atua na engenharia de pavimentos, participar da feira é estratégico para o crescimento. “Primeiro pela sua grandeza e representatividade na América Latina, portanto, um ótimo lugar para promover nossos serviços. Segundo por estar em São Paulo, centro econômico do País, local ideal para prospectar e visitar clientes”, ressaltou.

“O público que vemos aqui é qualificado, nos interessa e está em busca de melhorias. Então, para nós, foi uma oportunidade de divulgar as soluções em segurança rodoviária, uma área em que o Brasil é bem ‘careta’”, destacou o engenheiro Jorge Constante Gavranic, da Armco Staco, que é também presidente da Associação Brasileira de Segurança Viária (ABSeV).

Segundo o supervisor-geral da Margui Engenharia de Equipamentos, Marcelo Silva, o foco da empresa não foi apenas o fechamento de negócios, mas prospectar novos clientes. “Por ser um evento internacional, consideramos a Brazil Road Expo o local ideal para colocarmos em prática nossa estratégia de expansão.”

“Esta é uma feira que dá visibilidade ao nosso mercado porque é onde encontramos todos os clientes do setor, empresas, consultores, projetistas e órgãos públicos”, contou Osvaldo Tuchumentel Junior, diretor da Betunel Asfaltos. Não é por acaso que a Brazil Road Expo foi a vitrine escolhida para divulgar a criação do Grupo GV, fruto da fusão das empresas Betunel, Greca Asfaltos e outras.

 

Em 2016…

A próxima edição da Brazil Road Expo já tem data e local definidos: será realizada de 29 a 31 de março do ano que vem no pavilhão São Paulo Expo (antigo Centro de Exposições Imigrantes), em São Paulo.

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