Renovação de frota: lápis e papel na mão!

Para determinar qual é a melhor ocasião para fazer a substituição de um equipamento, é preciso realizar um exercício matemático

 

No setor de construção pesada e mineração, constantemente ocorre uma ampliação do uso do maquinário, que cresce em quantidade e intensidade com a frequente incorporação de novos modelos e tipos de equipamentos.

Como primeira consequência, há o aumento dos gastos envolvidos com esse segmento dentro das empresas. Dada a representatividade desses valores, identificamos de imediato a necessidade de melhorar seu gerenciamento e, desse modo, alcançar a redução dos custos operacionais e de manutenção a níveis aceitáveis.

Quanto à gestão do maquinário, temos de considerar os seguintes aspectos: a adequada seleção dos modelos e de sua produtividade, seu dimensionamento e sua programação de uso, pois são questões que fatalmente influem nos custos globais.

Para a adequada escolha de um equipamento, devem-se analisar detalhes técnicos, econômicos, financeiros e administrativos. E ao se substituir uma máquina por outra, essas mesmas considerações devem ser observadas.

Com um correto monitoramento, a determinação do momento adequado para a troca é de suma importância, visto que esse fato tem total implicação no custo do projeto.

Quanto à durabilidade de um equipamento, é preciso considerar tanto o ponto de vista físico como o econômico, visto que a vida de uma máquina pode ser prolongada por uma manutenção constante, mas seus gastos podem superar as despesas de aquisição de uma nova.

Ao prolongarmos a vida útil, via de regra, geramos um custo de manutenção mais elevado. Isso ocorre devido à falência dos sistemas mecânicos, elétricos e eletrônicos, à corrosão da chaparia, à deterioração e à quebra de acessórios etc. Esses gastos obedecem a uma função matemática crescente e podem atingir situações proibitivas, isto é, valores maiores que os aceitáveis pelo mercado. Além disso, esses equipamentos passam a apresentar uma baixa e inviável produtividade.

Podemos concluir que para cada máquina existe um período de uso que se torna a melhor ocasião para que seja substituída ou, em outras palavras, renovada. Para essa determinação, faz-se necessário efetuar um exercício matemático.

A literatura de engenharia econômica apresenta cerca de sete métodos. No atual trabalho, utilizamos o processo denominado Caue – Custo Anual Uniforme Equivalente (ou custo uniforme anualizado equivalente). Convém adaptar essa fórmula considerando o Custo da Indisponibilidade de Manutenção.

Desse modo, associado ao ponto de renovação, deve-se analisar o conceito de disponibilidade de manutenção, sendo que tal índice mede a percentagem do tempo em que o departamento de manutenção libera os equipamentos para a produção.

Já a indisponibilidade mecânica é o indicador complementar (percentagem do período em que o equipamento permanece em manutenção em relação ao período em análise).

A eficiência da máquina diminui com o aumento da vida útil, obrigando a que, para realizar o mesmo serviço, tenhamos que aumentar o tempo de trabalho com um possível incremento da frota.

Em termos matemáticos, observamos a eficiência de indisponibilidade e disponibilidade mecânica:

 

               PRM

IM = —————-         e       DM = 100 – IM

                PA

 

Onde:

IM    = Índice de indisponibilidade mecânica (%)

DM   = Índice de disponibilidade mecânica (%)

PRM = Período em que o equipamento sofreu manutenção (horas)

PA    = Período em análise (horas)

 

Temos de considerar que a indisponibilidade mecânica implica custos para os detentores dessa frota. Por exemplo: se para realizar uma operação é necessário o uso de cinco equipamentos em determinado período e esses, em média, apresentam uma eficiência mecânica de 80%, na realidade, teremos que nos valer de seis equipamentos, pois o equipamento acrescido à frota estará sendo utilizado para complementar a deficiência.

Retornando à análise, podemos dizer que determinar a vida útil econômica é designar o ponto em que as despesas do equipamento a ser renovado (velho) – o que inclui manutenção, depreciação e indisponibilidade mecânica – superam os gastos de aquisição de um novo, somados à manutenção que irá demandar (que deve ser menor).

A tabela abaixo mostra a evolução das parcelas de gastos de uma máquina em função de sua vida:

 

Participação representativa dos custos

 

Equipamento

Parcelas de gastos

Novo

Velho

Depreciação anual

Alta

Baixa

Custo com reparo e manutenção

Baixa

Alta

Indisponibilidade mecânica

Baixa

Alta

 

Para quantificarmos com precisão esses valores, devemos determinar a curva dos custos com manutenção e a curva das despesas anuais em razão da depreciação. Essas duas funções requerem históricos de informações referentes ao assunto. Para quem não as possui e deseja efetuar essa análise, recomendamos que utilizem empresas especializadas no mercado que operam com essa tecnologia.

Confira a seguir o exemplo de uma análise de renovação de uma escavadeira hidráulica.

 

Renovação de uma escavadeira hidráulica (476 cv)

O processo de análise sobre a renovação de uma escavadeira hidráulica (476 cv) requer as seguintes etapas:

1. Levantamento do custo com manutenção e seu uso real durante esse período (recomendamos a análise anual)

2. Acúmulo dos gastos com manutenção (R$) e acúmulo (horas de durabilidade)

3. Determinação da curva de tendência de gastos com manutenção acumulados (R$) versus a vida em horas (h), isto é, o equacionamento do gasto acumulado em função da vida (equação parabólica ou potencial). Veja a figura 1

4. Derivação da equação gerando o CRM (custo com reparo e manutenção em função da vida do equipamento). Veja a figura 2

5. O equacionamento do percentual do tempo parado em manutenção permite determinar o custo da máquina parada e ao longo dos anos de uso. Veja a figura 3

6. Simulação do CRM (R$/h) ano a ano contra o valor de aquisição de um equipamento novo e sua manutenção

7. Quando (ano) o custo do novo equipamento for inferior ao do velho, temos o momento de renovação da frota. Veja as figuras 4 e 5

Para uma consideração mais detalhada, devemos considerar no custo de manutenção as despesas do equipamento parado (indisponibilidade de manutenção).

No fim das contas

Na análise da escavadeira hidráulica, obteve-se como ponto de renovação 3,5 anos com 7.023 horas de uso, onde o custo de aquisição com a manutenção prevista para a nova máquina coincide com os custos da antiga (depreciação, manutenção e indisponibilidade).

O momento adequado para efetuar a troca é dado pelo parâmetro Caue – função parabólica crescente – e o ponto de atualização é determinado pelo início do crescimento da função (figuras 4 e 5).

O uso do modelo como ferramenta para determinar a vida útil dos equipamentos nas frotas nacionais permite considerar:

1. Significativo percentual da frota ativa encontra-se fora do período econômico, o que tem acarretado expressivas perdas, na maioria das vezes não mensuradas e provavelmente desconhecidas pelos proprietários

2. A aplicação dessa ferramenta requer sólida base de dados, pois informações incorretas ou pouco confiáveis podem implicar resultados errôneos e com significativa perda financeira

3. Curvas-padrão de custo com reparos e manutenção (CRM) para cada classe/tipo/modelo têm mostrado que podem ser utilizadas como base no histórico do mesmo segmento e atividades, caso a empresa em análise não as possua

3. Informes, como período de uso anual (horas ou quilômetros) e taxa de juros, têm considerável influência nos resultados

4. O estudo para avaliação do ponto de renovação da frota deve ser aplicado individualmente, visto que existem parâmetros específicos para cada empresa. Dentre esses fatores, podemos citar o uso anual (horas ou quilômetros), pois interferem em todo o processo e na curva de depreciação

 

Colaboraram para esta reportagem: Ângelo Domingos Banchi, engenheiro agrícola e diretor da Assiste; José Roberto Lopes, administrador de empresas e diretor da Assiste; Luis Guilherme A. Favarin, engenheiro agrícola da Assiste; Valter Ap. Castro Ferreira, consultor da Assiste

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