Os desafios da indústria da construção pesada paulista diante do cenário macroeconômico brasileiro

Por Sílvio Ciampaglia*

 

Todas as ações governamentais surtem efeitos para a população à medida que a execução das atividades vai se sobressaindo ao discurso. O dia a dia do desenvolvimento, seja na indústria, seja no comércio ou na prestação de serviços, está diretamente ligado às condições econômico-financeiras proporcionadas pelas autoridades públicas.

O setor da construção pesada do Estado de São Paulo há muito tempo vem enfrentando dificuldades que estão “minando” a capacidade das empresas de cumprir com suas responsabilidades. Apesar disso, o segmento resiste como pode e busca desempenhar o seu papel como agente promotor do desenvolvimento nacional. Essa situação adversa é resultado de uma junção de fatores econômicos, financeiros e políticos que retratam bem o contexto conturbado pelo qual passa o País.

Na construção pesada, houve nova queda no nível de emprego de 1,6%, em fevereiro. No acumulado de 12 meses, a baixa é de 11,39%. Foram 15.515 demissões nos últimos dez meses. O segmento não tem índices positivos – mais contratações do que fechamento de postos de trabalho – desde maio de 2014.

Em fevereiro de 2015, as empresas do setor empregavam 102.978 trabalhadores. No mesmo período do ano passado, o número de vagas ocupadas chegou a 116.215.

Vivemos uma das piores crises da construção pesada. Registramos atrasos de pagamentos em São Paulo, e obras licitadas no Estado não tiveram seus contratos assinados. Além disso, não são colocadas na praça novas licitações desde 2014.

Em São Paulo, as companhias da construção pesada mantêm permanente diálogo com as autoridades contratantes de obras públicas, evitando que, a exemplo do que já ocorre em outros Estados, os projetos de infraestrutura rodoviária paulistas sejam paralisados. Entre as saídas adotadas está o alongamento dos cronogramas de obras, conforme sugestão do governo paulista. A opção impacta diretamente na capacidade instalada dos canteiros que, formatados para uma obra específica, operacionalmente não podem ser “desacelerados“.

No âmbito federal, são inúmeros os fatores que estão ajudando a agravar a crise e a aumentar o clima de preocupação. Os atrasos de pagamento às empresas de construção pesada e de construção civil, iniciados em abril de 2014, permanecem até agora, motivados pelo ajuste fiscal promovido pelo governo federal para atingir a meta de superávit primário.

A atual onda de demissões é resultado de muitas variáveis, entre elas a decisão de alterar as regras anteriormente estabelecidas para a desoneração das companhias, insistindo na aprovação do projeto de lei que eleva em até 125% as alíquotas de contribuição que incidem sobre o faturamento. A nova proposta, se aprovada, aumenta as alíquotas de recolhimento do regime de desoneração da folha de salários de 2% para 4,5% para o setor da construção.

O Sinicesp, entidade que agrega as empresas do setor da construção pesada, sempre soube superar, com a ajuda de seus associados, os momentos difíceis que o País enfrentou. Desta vez não será diferente, e para isso conta com o empenho do governo federal e de São Paulo, com a certeza de que as ações serão superiores às promessas.

 

*Sílvio Ciampaglia é presidente do Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Estado de São Paulo (Sinicesp)

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