Compactos mostram força

Contrariando as estimativas de queda para os equipamentos da linha amarela, equipamentos de menor porte, como miniescavadeiras, podem ter crescido 6% em 2014. O momento favorável impulsiona investimentos no Brasil por parte das fabricantes desse tipo de máquina, que vem desbravando aplicações em novos mercados

 

Oferecer serviços e máquinas diferenciadas pode ser uma estratégia interessante para driblar a crise. Com essa aposta, os chamados equipamentos compactos têm descoberto novos nichos de aplicação, evitando, assim, a dependência do setor de construção. Os resultados são animadores a ponto de fabricantes fazerem planos de expansão da atividade no País.

Para o locador de máquinas, a aquisição de exemplares com essa configuração de menor porte também pode oferecer uma série de vantagens. “O locador é um prestador de serviços e, como tal, um fornecedor de soluções. Alugar aquilo que o cliente quer significa entrar numa ‘vala comum’ em que o diferencial será somente o preço. O que gera um bom faturamento é oferecer soluções novas, muitas vezes utilizando equipamentos diferentes daqueles que os clientes conhecem e resolvendo problemas que eles nem lembram que têm”, opina Mário Neves, especialista em equipamentos compactos da Wacker Neuson Brasil.

Máquinas como pás-carregadeiras compactas, manipuladores telescópicos compactos, miniescavadeiras, minicarregadeiras e dumpers são cada vez mais utilizados no Brasil principalmente pela versatilidade que apresentam ao assumir uma ampla gama de funções. Elas podem ser empregadas em ornamentação e jardinagem, paisagismo, limpeza de aviários em granjas, transporte de materiais em espaços confinados, indústria de pré-moldados, movimentação de estruturas metálicas, materiais de construção, compostagem, empresas de reciclagem, fábricas de rações, indústrias de fertilizantes, movimentação de cavacos de madeira, entre outras utilizações. Além disso, podem ser usadas em obras rodoviárias, nas quais oferecem a vantagem de evitar que se faça uma interdição nas faixas de trânsito, por exemplo.

Apesar dos mais de 40 anos de atuação no Brasil, a Wacker Neuson não tinha distribuidores. “Nossas vendas eram feitas basicamente para 20 grandes locadores, que possuíam sua própria assistência técnica”, explica Neves. No ano passado, porém, a empresa nomeou distribuidores, promoveu treinamentos para a área de pós-venda, nacionalizou alguns componentes e deu o pontapé inicial da fábrica do grupo em Itatiba (SP). “Foram mais de 300 máquinas de pequeno porte vendidas e projetamos para este ano um crescimento ao redor de 30% nas vendas, em função da atuação dos novos distribuidores e da consolidação dos antigos”, diz.

Segundo um estudo apresentado recentemente pela Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema), em 2013 foram vendidas 915 unidades de miniescavadeiras, registrando um crescimento em torno de 5% sobre o volume do ano anterior. Para 2014, a previsão era que seriam vendidas no Brasil 970 unidades, um salto de 6%, e as perspectivas para este ano são de um aumento ainda maior.

Nos próximos dois anos, a Wacker Neuson lançará 13 modelos novos de minicarregadeiras. Além delas, Neves aposta na linha de dumpers e nos manipuladores e carregadeiras compactos por sua capacidade de trabalhar como empilhadeiras por todo o terreno. “Essas máquinas têm facilidade de acesso a lugares com pé-direto baixo e, por isso, são produtos com mercado garantido”, destaca.

Outras vantagens

Célio Neto Ribeiro, diretor da Maxter Máquinas, concessionária de equipamentos de pequeno porte das marcas Wacker Neuson, Carmix, All Work, M&B Crusher e Simex, também aposta em um futuro promissor no segmento dos compactos.

Ribeiro conta que, em 2014, as vendas de compactos da empresa cresceram em relação ao ano anterior em torno de 50%, o que representa um aumento muito acima da realidade do mercado. “Um fator que nos ajudou a obter um desempenho muito maior do que o mercado foi o aumento do leque de nossos produtos e o nosso empenho em atender o pequeno e o microusuário, aquele que tem uma ou duas máquinas tanto para locar quanto para prestar serviços”, analisa.

Dentro do mix de produtos, Ribeiro conta com miniescavadeiras de 1 a 5,5 toneladas; minicarregadeiras, pás-carregadeiras compactas, manipuladores telescópicos compactos, rolos compactadores compactos, caçambas trituradoras, peneiras rotativas, rompedores hidráulicos, fresadoras, escarificadoras rotativas e autoconcreteiras. “Eu diria que cada uma tem a sua relevância e são importantes para o nosso sucesso. Neste ano, introduziremos mais produtos, que deveremos lançar na M&T Expo”, antecipa.

Além da versatilidade de aplicações, o diretor da Maxter destaca outras vantagens dos compactos, que podem ser especialmente interessantes no cenário econômico atual. “Elas começam pelo volume de investimento e passam pelas facilidades de transporte, custo de manutenção e de operação e desempenho”, enumera. “Também os custos de consumo dos compactos com combustível, manutenção preventiva e corretiva são infinitamente inferiores; não há como comparar.”

Mesmo considerando o período atual pouco favorável aos investimentos para a compra de máquinas, Ribeiro acredita que, devido ao alto custo da mão de obra de qualidade, os equipamentos de menor porte começam a ser vistos como uma excelente alternativa – principalmente para os pequenos e médios usuários e locadores. “A utilização do compacto correto no canteiro de obras é, com certeza, a garantia de ganho de produtividade e rentabilidade, e esse caminho é irreversível.”

Ribeiro considera que oferecer produtos inovadores agrega um alto valor. “As empresas que confiaram na mecanização do canteiro de obras, utilizando novos conceitos e inovando na oferta de produtos e serviços, se destacaram no mercado por haverem conseguido ofertar aos clientes soluções com um custo-benefício muito maior do que a maioria dos locadores ou prestadores de serviços que têm uma visão conservadora”, avalia.

Mudança de paradigma

Para Roberto Mazzutti, consultor da área de vendas da Auxter, concessionária da marca JCB no Estado de São Paulo, o cliente começa a visualizar todas as vantagens dos compactos, mas ainda é um pouco resistente. “Estamos tentando catequizar e levar para o caminho correto, de forma técnica, porque são usos e aplicações diferentes. O locador, por exemplo, vai poder alugar a máquina pequena por um valor mais alto que a grande, pois é um modelo diferenciado”, explica.

Com o intuito de levar mais informações sobre esse tipo de máquina ao mercado, Mazzutti ministra uma palestra na Apelmat em março. Em sua apresentação, trará, principalmente, dados de mercado que mostram, por exemplo, que houve um salto de 108% na demanda por minipás-carregadeiras de 2009 para 2010. “E esse valor continuou crescendo. Houve uma queda em 2012, mas em 2015 o patamar deverá ser praticamente o mesmo de 2010”, revela.

Para este ano, a Auxter projeta um crescimento de 15% a 20% nas vendas da minirretroescavadeira 1CX, da marca JCB – um equipamento “dois em um”, que pode ser utilizado como minicarregadeira ou como miniescavadeira.

Para que as previsões positivas se concretizem, Mazzutti aposta na expansão em segmentos como paisagismo e urbanismo. “No Brasil, esse setor é atraente, principalmente com o aumento da construção de condomínios, que trazem uma gama de fornecedores de plantas, arbustos, transplantes de árvores, ornamentação e jardinagem, entre outros. Para se ter ideia, nos Estados Unidos esse segmento é responsável pelo consumo de 60% das máquinas de pequeno porte”, diz.

Mazzutti define os equipamentos compactos como porta-ferramentas, capazes de receber grande variedade de implementos para trabalhar em muitas funções. “Se você tirar a caçamba de uma carregadeira compacta e acoplar garfos para pallets, a máquina se transforma em empilhadeira. Se tirar os garfos pallets e acoplar uma caçamba em um manipulador telescópico, ele se transforma numa carregadeira de longo alcance”, explica. “A solução de determinado problema pode ser mais fácil e rápida do que se imagina.”

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