Luz no fim do túnel

Para Eurimilson Daniel, vice-presidente da Sobratema, no médio e longo prazo, o horizonte é favorável para o setor de locação. “No Brasil, não dá mais pra pensar em curtíssimo prazo”, diz o executivo. “Temos que atravessar a fase atual, um tanto delicada, mas, se olharmos para o que conquistamos, não para o que deixamos de crescer, os números são positivos”, completa ao comentar sobre o resultado do Estudo Sobratema do Mercado Brasileiro de Equipamentos para Construção, elaborado pela Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema).

O setor de locação deve contabilizar mais de 35 mil máquinas. “E com o mercado ruim, a pesquisa da Sobratema indica que estamos rodando 50%, ou seja, pelo menos 17 mil estão em operação. Há oito ou nove anos, esse número não passava de 5 mil”, destaca.

Confira a íntegra da entrevista concedida à Revista Apelmat/Selemat.

Revista Apelmat/Selemat O que você diria para os locadores que olham para a realidade econômica no curto prazo?

Eurimilson Daniel Quando digo que temos 50% do montante de máquinas rodando, das 35 mil que formam a linha amarela, é o volume que sustenta um determinado mercado, que exige uma renovação, assim como atendimento e qualidade. Esse é um ponto positivo, pois o mercado não parou. Evidentemente, o número de equipamentos em atuação não sustenta a expectativa dos locadores, que precisam de novas oportunidades. Elas podem vir por medidas do governo. Por exemplo, há a notícia de que o BNDES encerra o PSI (Programa de Sustentação do Investimento) com taxa de 4,5% ao ano. Se isso acontecer, qual o impacto para o setor? Consigo enxergar que se os juros do banco aumentarem, os clientes finais vão alugar mais e comprar menos. É uma oportunidade. Outra, recente, vem com uma mudança na lei de dívida dos Estados, que fez com que todos passassem a ter capacidade de investir. Então, dentro do cenário atual, é preciso se posicionar numa realidade: estamos rodando 50%. Mas também deve-se procurar enxergar quais são as oportunidades que existem.

RSA Nesse cenário de oportunidades, o Estado de São Paulo está melhor posicionado do que o restante do País?

ED Em relação à mudança na lei de dívida dos Estados, São Paulo foi o que mais ganhou. Houve uma economia de 34% da dívida pública dele e isso vai fazer com que possa fazer novos investimentos no Estado. O segundo ponto é que, me parece, que numa visão política, São Paulo está muito bem administrado, com boas perspectivas. Agora, há de se entender que o número de locadores cresceu e que o mercado é mais concorrido. Nesse contexto de aumento da oferta de máquinas e de uma demanda extremamente estabilizada para baixo, há uma queda na rentabilidade. Então, os locadores precisam conseguir encontrar a oportunidade junto com a rentabilidade. Porque o negócio de locação não é só alugar máquina, é identificar o negócio que dá mais rentabilidade. Essa é uma preocupação que vejo no segmento.

RSA Muitos compraram novos equipamentos em 2010, e há um envelhecimento da frota ao longo dos anos. Qual e a expectativa em relação à renovação?

ED Pesquisamos locadores em todos os lugares do País, e ninguém fala em sair do setor. Se não há essa intenção, é preciso ter equipamento. Num momento de dificuldade, dificilmente alguém vai falar em novos investimentos, mas, para se manter no segmento, tem que investir.

Os investimentos acontecem em três pontos críticos. O primeiro é no alinhamento da frota. Muitas vezes o locador é muito bom em retroescavadeira e insiste nesse equipamento, por exemplo. Mas pode ser que a retroescavadeira não seja um negócio que dê a rentabilidade que ele precisa para sustentar a empresa. Então, ele precisa identificar quem é o cliente dele, qual região atende, qual é a vocação dele, a capacidade de mão de obra e a capacidade técnica, e a partir dessa análise, alinhar-se com o mercado de forma a alcançar a melhor rentabilidade.

O segundo ponto é a inovação. Estar em linha com a inovação é sair de um equipamento que produz menos para um que produz mais. Para aqueles que tem máquinas antigas, não tem jeito. Os motores evoluíram, apresentam menos barulho e menos consumo. Além disso, as máquinas evoluíram no quesito de segurança e conforto, com cabine com ar condicionado, por exemplo. A parte operacional evolui, assim como a hidráulica e a elétrica, melhorando a produtividade dos operadores e das obras. A parte hidráulica, hoje, está absolutamente inserida no processo de tecnologia e o locador tem que saber utilizar e vender isso. O que acontece é que as pessoas estão comprando máquinas com tecnologia embarcada e negociando a locação sem considerar essa tecnologia embarcada. Isso gera prejuízo, já que esse equipamento tem um custo operacional maior.

A renovação é o terceiro e último ponto crítico e é um caminho sem volta. O locador precisa contar com equipamentos que tenham um ciclo de vida produtivo dentro de um custo de manutenção interessante. Depois de cinco anos de uma máquina em operação, que apresentava baixa manutenção, passa a exigir mais manutenção. E esse custo cresce. É hora de pensar em renovar, porque senão o locador pode pecar pelo resultado que essa máquina vai trazer.

Além disso tudo, há o impacto da mão de obra, que encareceu muito. O locador deveria ter um custo de mão de obra em torno de 25% do faturamento, mas tem locador trabalhando na faixa de 35% a 40%. A mão de obra ficou muito cara para não ser tratada de maneira produtiva.

RSA Em relação à pesquisa sobre os investimentos em infraestrutura, apresentada pela Sobratema, o que você destaca?

ED A nova fronteira de desenvolvimento está no Centro-Oeste, com as concessões que já foram feitas e estão em andamento. São Paulo é, sempre, um lugar muito bom, mas tem muita gente trabalhando, com a competição maior.

O país mudou. Há investimento do Oiapoque ao Chuí. Eu tenho uma empresa com sete filiais em cinco Estados e busco os investimentos em infraestrutura como um pipoqueiro procura a porta da igreja para fazer a pipoca.

A pesquisa ajuda a enxergar onde estão os investimentos, porém cada locador precisa sua vocação. Por exemplo, será que é ele tem vocação de pegar uma máquina e viajar três mil quilômetros de distância?

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