Projeções na ponta do lápis

Área de infraestrutura contabiliza investimentos de R$ 1,17 trilhão até 2019 segundo dados de pesquisa encomendada pela Sobratema

Para reduzir os gargalos nas áreas de transporte e logística, saneamento básico, energia e habitação, a esfera governamental tem anunciado investimentos em âmbito nacional, estadual e municipal. Até 2019, estão previstos aportes financeiros públicos e privados da ordem de R$ 1,17 trilhão. O dado é da pesquisa Principais Investimentos em Infraestrutura no Brasil até 2019, encomendada pela Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema) à consultoria Criactive.

O levantamento aponta 6.068 obras em andamento, projeto ou intenção, em diversos setores como óleo e gás, transporte, energia, saneamento, indústria, infraestrutura de habitação, esporte e outros.

A área de transportes representa a maior fatia de investimentos, com um montante estimado em R$ 438,4 bilhões para o período 2014-2019, ou seja, 37,49% do total.

A maior obra em termos de visibilidade e valor continua sendo o trem de alta velocidade (TAV) que ligará Campinas, Rio de Janeiro e São Paulo, com aportes de R$ 35,6 bilhões. Na sequência está o Superporto do Espírito Santo, com investimentos de R$ 20,7 bilhões. Os modais que concentram os maiores volumes são as ferrovias, com 38,3%; os portos e hidrovias, com 21,1%; e as rodovias, com 17,6%.

O setor de óleo e gás é o segundo maior, com R$ 319,5 bilhões estimados (27,32% do total). A terceira posição fica com o segmento energético, com investimentos previstos de R$ 191,7 bilhões e destaque para obras de geração de energia, que representam 84,4% desse montante. As quatro obras que devem receber os maiores valores continuam sendo as Usinas Hidrelétricas de Belo Monte e São Luiz do Tapajós, no Pará, e Jirau e Santo Antônio, em Rondônia.

Segundo a pesquisa, o setor industrial responde por 8,72% dos aportes financeiros (R$ 102 bilhões). As obras com maior valor estão nas áreas de mineração e siderurgia. Destacam-se também os segmentos de papel e celulose, fertilizantes e automóveis.

Os investimentos em saneamento básico são de vital importância para alcançar a universalização do sistema de escoamento e tratamento de esgoto. O levantamento contabiliza R$ 35,8 bilhões até 2019. Já o Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) prevê R$ 508,4 bilhões entre 2014 e 2033.

Para a infraestrutura de habitação, estão previstos R$ 7,8 bilhões até 2019. O destaque é o programa Minha Casa, Minha Vida, que tem apresentado a maior taxa de realização da segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). Até abril de 2014, contratou 3,4 milhões de moradias e já entregou 1,7 milhão de unidades.

O setor formado por hotéis e resorts, shopping centers, hospitais, universidades, teatros e edifícios públicos deve receber aportes de R$ 70,2 bilhões no período, e a infraestrutura esportiva R$ 4,1 bilhões.

Em marcha

O montante das obras em andamento entre 2014 e 2019, de acordo com os dados da pesquisa Principais Investimentos em Infraestrutura no Brasil, está estimado em R$ 458,9 bilhões, o que significa R$ 76,48 bilhões de investimentos ao ano.

Ao dividir esse valor pelo PIB previsto em 2014 (de R$ 4,86 trilhões, considerando um crescimento de 0,4% neste ano), chega-se a um investimento médio de 1,57% do PIB em infraestrutura, índice considerado baixo em comparação com alguns países da América Latina.

Levando em conta somente as obras em andamento, o setor que mais contribuiu para o valor de investimentos é o de óleo e gás, com R$ 214 bilhões (46,7%). A Petrobras responde por 80% desse montante. O segmento de transportes vem na sequência, com R$ 76 bilhões (16,6%), e a área de energia aparece em terceiro lugar, com R$ 57 bilhões (12,5%).

Na análise por região, o Sudeste lidera, concentrando 57,4% dos aportes. Em segundo lugar está o Nordeste (15,5%), e em seguida o Norte (11%). As três regiões juntas receberão 83,9% dos investimentos.

Vendas devem cair

A comercialização de equipamentos de construção deve apresentar queda de 6% em 2014 em relação ao ano anterior. Serão mais de 67,7 mil máquinas vendidas contra mais de 72 mil unidades comercializadas em 2013. A constatação é do Estudo Sobratema do Mercado Brasileiro de Equipamentos para Construção, elaborado pela entidade.

A queda decorre de fatores como a desaceleração da economia brasileira, políticas públicas dos investimentos em infraestrutura e o período eleitoral.

A linha amarela deve sofrer diminuição de 12,7% nas vendas, e para as demais categorias – compostas por gruas, guindastes, compressores portáteis, plataformas aéreas, manipuladores telescópicos e tratores de pneus – estima-se uma retração de 14,8%.

Os equipamentos com maior percentual de queda são as retroescavadeiras (42,6%), os guindastes (46,3%) e as plataformas aéreas (24,7%).

Por outro lado, o estudo aponta resultados positivos, como a alta na venda de rolos compactadores (13,2%), motoniveladoras (8,3%) e pás-carregadeiras (5,2%), além dos caminhões rodoviários demandados pelo setor de construção (6,8%). Estes três últimos obtiveram crescimento em função, principalmente, das encomendas feitas pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário.

No caso da importação, a expectativa é de retração. De janeiro a setembro deste ano, houve diminuição de 27% em relação a igual período anterior. O que leva a esse cenário é a desaceleração do mercado interno, com a desvalorização cambial, e a entrada de importadores como fabricantes no território nacional.

Em relação aos setores que utilizam as máquinas, a área de infraestrutura responde pela maior parte do que foi adquirido em 2014 (32 mil unidades), seguida da construção civil (25 mil unidades).

 

Boas notícias?

Para o vice-presidente da Sobratema, no médio e longo prazo, o horizonte é favorável para o setor de locação

Por Tatiana Alcalde

“As pessoas me perguntam: ‘Daniel, você tem boas notícias?’”, fala Eurimilson Daniel, vice-presidente da Sobratema. “Respondo que o pior cenário é estar no escuro. A pesquisa de investimento e estudo do mercado de equipamentos nos dá um conforto por acender uma lâmpada”, completa.

Para o executivo, mesmo diante da realidade desfavorável economicamente, há luz no fim do túnel. “No Brasil, não dá mais pra pensar em curtíssimo prazo”, diz. “Temos que atravessar essa fase, um tanto delicada, mas, se olharmos para o que conquistamos, não para o que deixamos de crescer, os números são positivos.”

O setor de locação deve contabilizar mais de 35 mil máquinas. “E com o mercado ruim, a pesquisa indica que estamos rodando 50%, ou seja, pelo menos 17 mil estão em operação. Há oito ou nove anos, esse número não passava de 5 mil”, destaca.

Mesmo com esse crescimento, o desafio é o da sustentação. “Estamos num momento de reivindicação de uma nova consciência política. Independentemente de quem vai dirigir o País, tem que acontecer uma mudança produtiva, que passa pela infraestrutura e vai favorecer o nosso setor. Nesse ponto, no médio e longo prazo, o horizonte é favorável. Nós devemos acreditar.”

Revista Apelmat/Selemat O que você diria para os locadores que olham para a realidade econômica no curto prazo?

Eurimilson Daniel Quando digo que temos 50% do montante de máquinas rodando, das 35 mil que formam a linha amarela, é o volume que sustenta um determinado mercado, que exige uma renovação, assim como atendimento e qualidade. Esse é um ponto positivo, pois o mercado não parou. Evidentemente, o número de equipamentos em atuação não sustenta a expectativa dos locadores, que precisam de novas oportunidades. Elas podem vir por medidas do governo. Por exemplo, há a notícia de que o BNDES encerra o PSI (Programa de Sustentação do Investimento) com taxa de 4,5% ao ano. Se isso acontecer, qual o impacto para o setor? Consigo enxergar que se os juros do banco aumentarem, os clientes finais vão alugar mais e comprar menos. É uma oportunidade. Outra, recente, vem com uma mudança na lei de dívida dos Estados, que fez com que todos passassem a ter capacidade de investir.

RAS Muitos compraram novos equipamentos em 2010, e há um envelhecimento da frota ao longo dos anos. Qual e a expectativa em relação à renovação?

ED Pesquisamos locadores em todos os lugares do País, e ninguém fala em sair do setor. Se não há essa intenção, é preciso ter equipamento. Num momento de dificuldade, dificilmente alguém vai falar em novos investimentos, mas, para se manter no segmento, tem que investir.

RAS Em relação à pesquisa sobre os investimentos em infraestrutura, o que você destaca?

ED A nova fronteira de desenvolvimento está no Centro-Oeste, com as concessões que já foram feitas e estão em andamento. São Paulo é, sempre, um lugar muito bom, mas tem muita gente trabalhando, com a competição maior.

 

Veja +

Confira no site da Apelmat (www.apelmat.org.br) as projeções de comercialização de equipamentos até 2019 e a íntegra da entrevista de Eurimilson Daniel, vice-presidente da Sobratema.

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