Elemento vital

H2Life Brasil desenvolveu um equipamento móvel que é uma verdadeira estação de tratamento de água, uma alternativa de baixo custo, moderna e flexível diante da diminuição do volume potável disponível para a população

Por Tatiana Alcalde

 

Apesar de o Brasil deter aproximadamente 12% de toda a água potável do planeta, boa parcela está poluída, tornando cada vez mais caros e complexos os sistemas de tratamento para garantir o abastecimento da população.

Soma-se a isso a atual crise hídrica que assola São Paulo e põe em xeque a eficiência da gestão das águas no País. Com chuvas escassas, ficaram evidentes tanto a fragilidade quanto as falhas do sistema de tratamento e distribuição.

Segundo estudo feito pelo Instituto Trata Brasil, cerca de metade da água que desce pelos ralos vai parar, em forma de esgoto sem tratamento, em rios, córregos e represas da capital paulista. Com apenas 38,7% do volume tratado, São Paulo ignora um estoque de água equivalente a dois Sistemas Cantareira. Se fosse tratada de forma devida, poderia ser reutilizada e a crise, amenizada.

O reúso da água, não só para limpeza e irrigação, não é um conceito novo e é praticado em diversos países há muitos anos. Estados Unidos, Austrália e Bélgica, por exemplo, reaproveitam a água, tornando-a potável novamente.

A H2Life Brasil, uma empresa que faz parte do Grupo Loeches, lançou recentemente, uma alternativa de baixo custo, moderna e flexível: um equipamento móvel que é uma verdadeira estação de tratamento.

Desenvolvido e construído após seis anos de pesquisa, o sistema trata, filtra e desinfeta todo tipo de água, tornando potável até mesmo as que se encontram nas piores condições de qualidade.

“Esse é um mercado em ascensão principalmente pela notável diminuição do volume de água potável disponível para a população”, comenta Leandro Pitarello, engenheiro químico da empresa. “Nosso maior desafio é que as pessoas possam se conscientizar de que nossas estações têm eficiência similar ou superior aos sistemas de tratamento convencionais.”

Confira a entrevista concedida à Revista Apelmat/Selemat em que Pitarello fala sobre o equipamento e suas aplicações, inclusive no segmento da construção civil.

 

Revista Apelmat/Selemat Quando a solução da H2Life foi desenvolvida?

Leandro Pitarello O início se deu no ano de 2008, quando foi percebida a necessidade de se tratar água em situações emergenciais, como em cidades ou comunidades atingidas por inundação em períodos de chuva. Nesses casos, as pessoas que não teriam acesso à água potável precisavam de uma solução compacta, móvel, de fácil logística e que atendesse a suas necessidades urgentes.

RAS Como funcionam e qual o custo dos sistemas de tratamento atuais? Qual é a diferença em relação ao H2Life?

LP O custo varia, dependendo do tamanho da população que o sistema irá abastecer, por isso é difícil precisar o valor real. Apesar disso, sabemos que é elevado, pois está diretamente ligado à necessidade da realização de uma obra civil para o recebimento da estação de tratamento. Ou seja, as estações convencionais demandam uma considerável área física e obras para que possam ser devidamente instaladas. Isso encarece o projeto e, consequentemente, o tratamento da água. A diferença é que a estação H2Life é compacta, portanto requer pouco espaço e não demanda grandes empreendimentos civis para sua instalação, podendo reduzir o valor do custo de tratamento.

RAS Vocês afirmam que a solução da H2Life apresenta redução do consumo de água e energia quando comparada aos sistemas convencionais. O que gera essa condição?

LP As soluções são compactas. Uma estação H2Life de tamanho reduzido pode ter a mesma capacidade de tratamento de uma grande convencional porque, na etapa de filtração, utiliza tecnologias como a microfiltração, ultrafiltração, resina de troca iônica, nanofiltração e osmose reversa, dependendo da qualidade da água de entrada e da destinação esperada.

RAS Essa é uma solução que pode ser adotada por cidades ou só por indústrias?

LP Nossas soluções podem ser aplicadas em todos os tipos de indústrias, residências, empreendimentos agropecuários, condomínios residenciais e comerciais, cidades, comunidades e todos os lugares que necessitam de água tratada. Nossos equipamentos podem ser usados para o tratamento e potabilização de diversas atividades e para aplicações variadas, como a potabilização de águas de rios, lagos, poços, minas e outros tipos de corpos d’água, reúso de efluentes industriais e domésticos, dessalinização de diferentes tipos de água e melhoria da qualidade da água de abastecimento público.

RAS Diante da escassez em São Paulo, é uma solução sustentável para fins de reúso ou também para o abastecimento humano?

LP Certamente é uma solução sustentável e eficaz também para o abastecimento humano.

RAS Você poderia contar a experiência de um cliente?

LP Temos clientes que adquiriram nossas máquinas para o reaproveitamento de esgoto em canteiros de obras. Antes da instalação do H2Life, todo o esgoto gerado nesses empreendimentos era descartado. Depois de instalado, o esgoto que seria descartado passou a ser tratado e reutilizado em atividades como limpeza de pátios e rega de plantas. A economia se dá por meio da diminuição do consumo de água potável e da consequente redução do esgoto gerado.

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