Em boas mãos

Dizem que quem ama, cuida. Se aplicarmos o ditado aos negócios, esse zelo é expresso em ações de proteção ao patrimônio

 

Mesmo diante do atual cenário econômico, as empresas não têm dado mole para o azar. “O mercado está mais consciente e sabe da importância de se ter uma cobertura para danos de causa externa, como acidentes em obra, e para terceiros em caso de um dano material ou corporal”, diz Camila Fernanda Machado, da Villa Corrêa Seguros.

A BMC Seguros, corretora da BMC-Hyundai, sente o efeito dessa conscientização. Segundo Dario Ferraz, diretor administrativo da empresa, houve um crescimento da demanda por apólices de aproximadamente 15% ao ano.

O seguro deve ser considerado como parte do planejamento financeiro da empresa justamente porque seu objetivo é garantir eventuais perdas e danos causados aos equipamentos segurados, móveis e estacionários, durante sua operação ou em transporte.

Imagine o tamanho do prejuízo se acaso um único equipamento dessa modalidade, como uma grua ou escavadeira, se envolver em um acidente que inviabilize sua operação. “As perdas ocasionadas por máquinas fora de operação, definitivamente ou não, podem representar não só uma parcela importante do faturamento, como também comprometer a saúde financeira da empresa”, ressalta Leandro Poli, diretor técnico da área de seguros patrimoniais massificados da Yasuda Marítima Seguros.

No caso de algum incidente com um equipamento alugado, a empresa precisa ter uma reserva financeira considerável para garantir sua reposição. “Ele é chave para a continuidade da obra e, se não há caixa ou seguro, o locador não tem como repor. Há um impacto no cronograma do projeto de uma obra”, fala Clemens Freitag, diretor de infraestrutura da Aon Seguros.

Freitag lembra ainda que o contratante tem interesse em que a máquina seja reposta de forma rápida e, por isso, normalmente contrata empresas quem contam com seguro.

“Também deve ser considerada a possibilidade de um dano causado a terceiros, o que torna o seguro ainda mais necessário”, acrescenta Almir Ximenes, superintendente executivo de Auto/RE da Bradesco Seguros.

Além dos riscos inerentes à própria atividade, que variam de colisão a queda de objetos sobre os equipamentos, as máquinas menores estão sujeitas ao risco de roubo e furto.

“Não é raro acontecer um atolamento, tombamento e, com menos frequência, um furto qualificado ou roubo”, aponta Valdez Lorembergue Spineli, gerente comercial da Fernando Gonçalves Corretora de Seguros.

“Roubo corresponde a 30% da sinistralidade das carteiras de seguro no mercado”, completa Ferraz, da BMC Seguros.

Além da cobertura básica (que contempla incêndio, queda de raio, explosão, fumaça, colisão, desmoronamento, impacto de veículos, queda de aeronaves, granizo, tornado e queda de objetos) e do seguro contra roubo e furto qualificado, entre as principais coberturas para máquinas da linha amarela estão:

– Terceiros ou responsabilidade civil

– Proximidade de água

– Perda ou pagamento de aluguel

– Danos elétricos

Luiz C. Monteli, sócio-proprietário da Monteli Seguros Corretora, acrescenta à lista o seguro ambiental. Para ele, indispensável às empresas do setor de terraplenagem.

“Um dano ambiental pode ir desde jogar entulho em local indevido à interrupção de uma nascente e contaminação de solo ou rios. Na apuração de responsabilidades ambientais, no caso de algum dano, todos os envolvidos na obra – antes, durante ou depois – onde ocorreu o acidente são responsabilizados”, fala Monteli. “Cada um arca com uma parte, o que varia é o percentual.”

Sai por quanto?

Segundo Camila, da Villa Corrêa Seguros, não é possível considerar o custo de todas as coberturas separadamente. “A taxa anual pode mudar de acordo com o ano do equipamento, se é importado, a utilização e também o histórico de sinistro do segurado”, detalha.

Apesar disso, é acessível. “Pode ir de 0,4% até 1% do valor da máquina”, fala Freitag, da Aon.

Segundo os executivos do setor, a cobertura básica é a mais adotada. “As adicionais mais solicitadas são as de responsabilidade civil para equipamentos móveis e perda/pagamento de aluguel”, comenta Ximenes Filho, do Bradesco Seguros.

No caso da cobertura de responsabilidade civil, Ximenes Filho explica que as despesas decorrentes de danos a terceiros podem superar até mesmo o prejuízo do próprio equipamento. Já o custo do seguro, em geral, é de 0,5% da verba contratada para um ano.

“Cada situação exige uma análise diferente. Procuramos sempre conversar com o segurado e entender os riscos aos quais está exposto a fim de oferecer as coberturas certas”, afirma Ferraz, para quem a cobertura de danos a terceiros ou responsabilidade civil é uma das mais importantes.

Detalhes que fazem diferença

Os empresários devem ficar atentos às cláusulas excludentes, ou seja, a todos os riscos que não são cobertos pelo seguro. Um exemplo são os danos ao equipamento causados propositadamente.

Outro risco excluído nessa categoria é qualquer prejuízo, dano, destruição, perda e/ou reclamação de responsabilidade relativo a equipamentos que estejam diretamente ligados à atividade agrícola, pecuária, aquícola ou florestal, já que para eles há outros tipos de seguros, como o de benfeitorias ou penhor rural.   

Para os da linha amarela, há dois tipos de contratação: uma com Limite Máximo Indenizável (LMI) igual ao Valor em Risco (VR) e outra na qual o segurado que possuir uma frota acima de dez itens pode contratar um LMI inferior ao VR. “Ou seja, contrata-se um Limite Máximo Indenizável Único, independentemente da quantidade de itens e do valor total em risco”, explica Camila, da Villa Corrêa.

Outras vantagens da apólice coletiva são ter um único vencimento e a uniformidade das coberturas e no pagamento do seguro, ou seja, um só carnê.

Spineli, da Fernando Gonçalves Corretora de Seguros, alerta para o fato de que as seguradoras que atendem ao segmento dispõem de coberturas, cláusulas e condições diferentes em seus contratos de seguro. “Isso, na prática, pode gerar falta de cobertura em sinistros. Portanto, é importante contratar o seguro por meio de corretores especializados no setor. Eles poderão mostrar as diferenças entre as seguradoras e minimizar os riscos.”

Um detalhe fundamental: os equipamentos devem estar em nome da empresa para quem está sendo feito o seguro. Se houver mais de uma empresa, todas devem ser inclusas na apólice como cosseguradas.

“Além disso, é importante que os empresários deixem claro em seus contratos de aluguel que os danos causados ao equipamento ou a terceiros sejam de inteira responsabilidade do locatário”, acrescenta Spineli. “Isso porque a apólice de seguro é algo para ser utilizado para resguardar os direitos do locador, principalmente quando a máquina é alugada sem o operador.”

 

Lição de casa

Na linha amarela, o fator humano é muito importante. Falhas e acidentes podem acontecer por falta de capacitação adequada.

Por isso, uma das áreas que a Yasuda Marítima desenvolve é a da gestão de risco. O objetivo é contribuir para minimizar a incidência de sinistros.

“Um dos principais riscos a serem evitados está relacionado à operação desses equipamentos. Ter mão de obra qualificada é imprescindível”, comenta Leandro Poli, diretor técnico da área de seguros patrimoniais massificados da companhia. “Outros fatores importantes estão ligados ao transporte, à falta de inspeção completa do equipamento e seus acessórios, uso de equipamento inapropriado para a carga a ser transportada (o que provoca, por exemplo, rompimentos de lanças de guindastes), inadequação do piso ao tipo de transporte, desníveis nas vias, falta de planejamento da atividade etc.”

Para Fernando Belarmino, diretor de desenvolvimento de negócios do Grupo GR, o zelo pelo patrimônio não está restrito à proteção contra roubo, mas envolve o manuseio diário. O cuidado começa com a própria manutenção, passa pela operação e chega à armazenagem.

“A prestação de serviços em segurança, por exemplo, é voltada para o controle de saída ou entrada desses equipamentos e, em alguns casos, para a vigilância do canteiro de obras”, fala. “Mas esse controle só pode ser bem realizado se os procedimentos de uso e planos de contingência estiverem de acordo com as normas e boas práticas – em alguns casos, regulamentadas.”

Belarmino ressalta que não só o investimento e o treinamento dos colaboradores levam ao nível de segurança esperado. “É fundamental que todos os usuários respeitem, fiscalizem e façam cumprir as regras, não sendo uma questão de transferência de responsabilidade, mas sim da criação de uma cultura coletiva de segurança.”

 

Veja +

No portal de notícias Apelmat, você encontra a lista e os detalhes das principais coberturas para máquinas da linha amarela.

Leia também a íntegra da entrevista de Fernando Belarmino, do Grupo GR.

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