Injeção de ânimo

Em tempos difíceis, como manter o espírito de equipe, a motivação e engajamento?

 

Parece que, como os especialistas anunciaram, os meses entre o fim da Copa do Mundo da Fifa e as eleições caminham a passos de tartaruga na economia.

Os sinais da apatia são visíveis e estampam manchetes de jornal, como as montadoras que tentam desovar estoques em promoções ou falam em empregados em lay-off, prédios comerciais em áreas nobres que aguardam inquilinos, com juros e inflação altos, inadimplência, queda no nível de emprego, baixo crescimento etc.

As empresas, por sua vez, caminham como podem. Diante de um cenário de receitas decrescentes e mercado parado, cortam custos.

O momento atual é de desafios, tanto para as companhias, que buscam performar e reter os talentos, quanto para os profissionais, que precisam conduzir suas carreiras e estarem permanentemente atualizados.

Com investimentos mais restritos e o desafio de crescer, as organizações buscam soluções para atingir seus objetivos e atrair pessoas capazes de entregar o que se espera e precisa.

“O momento atual nas empresas é de cautela. Poucas estão dispostas a se arriscar devido às incertezas de mercado em um ano complexo no Brasil. A hora é de repensar a estrutura e assegurar a retenção de talentos, pois os mesmos serão chaves para as estratégias de crescimento de médio e longo prazo”, analisa André Freire, presidente da Odgers Berndtson do Brasil.

Nesse contexto, Marcos Morita, mestre em administração de empresas e professor da FIA-USP e da Universidade Mackenzie, sugere sete ações para motivar suas equipes, envolvendo-os, gastando pouco e gerando resultados rápidos.

1 – Dê um zoom em seu portfólio

Utilize dados históricos, aprofundando-se além do volume de contratos, vendas ou locações e da curva ABC. Crie um comitê com finanças, manufatura e marketing, analisando margens de lucratividade, custos e competidores, verificando sua posição relativa no mercado. Corte, reduza e simplifique, descontinuando produtos ou serviços pouco rentáveis.

2 – Como está a satisfação de seus principais clientes, fornecedores e parceiros?

Desenvolva um questionário que abranja os principais pontos de contato com sua empresa, avaliando critérios como prazo de entrega, tempo de resposta, disponibilidade e taxa de falha, adequando-o conforme os requisitos de seu negócio. “Utilize sua própria equipe de atendimento para aplicá-lo. Insights interessantes para melhorias internas poderão surgir”, aconselha Morita.

3 – Envolva gerentes e supervisores na revisão e criação de métricas, alinhando-as com as principais estratégias da empresa, prazo médio de pagamento e recebimento, repetição de compras, retenção de clientes etc. Você poderá se surpreender com índices que já não se aplicam, assim como aproveitar a oportunidade para alinhar os departamentos, a visão e a missão.

4 – Que tal estudar novos mercados e oportunidades?

Selecione alguns executivos para visitar feiras e exposições, frequentar palestras, fóruns e conhecer cidades, Estados e países que tenham empresas de interesse. Caso o dinheiro esteja realmente curto, revistas especializadas, sites, associações e câmeras de comércio podem ser uma saída interessante. “É importante ter cartas na manga quando o mercado voltar a reagir”, afirma Morita.

5 – Há quanto tempo seus colaboradores não são treinados?

Use os resultados da pesquisa ou as lacunas levantadas pelas métricas para criar programas de capacitação interna. “Com ferramentas, cursos ou plataformas disponíveis na web, gratuitas ou com custo baixo, é possível desenvolver uma agenda de treinamento em diversas áreas, muito além do velho e conhecido treinamento de vendas e atendimento”, destaca o professor.

6 – É hora de abordar aquele velho problema que há tempos incomoda a rotina ou o departamento, gerando retrabalho e insatisfação

Segundo o especialista, em grande parte eles podem ser resolvidos por meio da mudança de processos, revisão dos fluxos de atividades, criação de formulários e relatórios. “Crie pequenos grupos de trabalho com os envolvidos, independentemente do nível hierárquico, estabelecendo encontros semanais de curta duração. Às vezes a solução vem de baixo”, sugere.

7 – Alinhe essas iniciativas para que não pareçam desconexas

“Escolha um nome inspirador e embale tudo num belo pacote, divulgando aos colaboradores em algum evento simples e de bom gosto, aproveitando para motivá-los e retirá-los do estado de letargia”, fala Morita. Outra dica é programar comunicados semanais com o andamento das atividades e reuniões mensais para compartilhar os resultados obtidos no programa.

 

Qual deve ser a postura de um líder?

Você já deve ter ouvido falar no termo “gestão de pessoas”. Muito utilizado no ambiente profissional, trata do gerenciamento de colaboradores, trabalho em equipe, liderança, planejamento estratégico, feedback etc.

Por se tratar de um tema atual e importante no mundo corporativo, há farta literatura sobre liderança e inúmeras pesquisas.

Recentemente uma delas foi desenvolvida pela consultoria norte-americana Leadership IQ, que ouviu mais de 32 mil executivos, gerentes e empregados nos Estados Unidos e Canadá. Ela aponta que os empregados que ficam em contato com seus chefes por seis horas semanais têm um desempenho muito melhor do que aqueles que mantêm o vínculo por apenas uma hora por semana.

Segundo o estudo, eles são 29% mais inspirados, 30% mais engajados, 16% mais inovadores e 15% mais motivados do que os colegas.

Para o consultor Airton Cicchetto, o incontável número de livros, artigos, pesquisas e sugestões sobre como deve ser a atuação dos líderes, capazes de levar a equipe e a empresa ao sucesso, pode contribuir para o aperfeiçoamento do seu desempenho perante o seu time.

“Porém, antes mesmo do advento de tais pesquisas e dessa indústria do marketing editorial, os líderes já eram líderes”, fala Cicchetto. “Nos primórdios da civilização, nos antigos povoados, nas guerras, nas igrejas, na política, nos sindicatos, nos esportes e nos grupos informais, sempre houve e ainda há líderes, não necessariamente letrados.”

Para Cicchetto, que também é engenheiro, mestre em administração e idealizador do modelo SCG – Simples Complexo Gerencial – Simplificando a Gestão, a liderança se faz e se fortalece, antes de mais nada, com uma combinação de dois elementos práticos: a participação e a união dos integrantes da equipe. “Quando ela é participativa e unida, o líder, por consequência, é forte.”

Nesse sentido, o líder deve promover a participação racional de todos, por meio de projetos, programas e ações de melhorias que sejam delegadas ao time.

Ele também deve saber recompensar e fazer uso da comunicação para informar e ouvir seus liderados, potencializando a participação de todos. “Deve por último, mas não menos importante, celebrar com seu time vitórias alcançadas, fatos e datas que sejam relevantes”, aponta.

“Assim em geral fazem os líderes natos: motivam, engajam e inspiram com condutas muito simples capazes de unir a equipe e fazê-la participar coletivamente do esforço pelo sucesso da empresa e de todos”, resume. Como consequência, o líder fortalece a si próprio e se torna cada vez mais líder.

 

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Uma preocupação básica para quem ocupa um cargo de liderança é como se comunicar com seus colaboradores. Por isso, confira sete orientações para um feedback positivo no portal de notícias Apelmat.

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