Informações que valem ouro

2º Congresso Nacional de Valorização do Rental, realizado durante a M&T Peças e Serviços Congresso, debateu temas importantes do cotidiano das empresas que atuam no setor

 

“Para obtermos benefícios coletivos, precisamos raciocinar fora da caixa, privilegiando a cadeia completa e não apenas cada classe isolada”, disse Afonso Mamede, presidente da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema), na abertura do 2º Congresso Nacional de Valorização do Rental.

O executivo destacou que ao evento, que visa fundamentalmente à integração da cadeia do setor, cabe o papel de promoção do diálogo. O congresso reuniu profissionais de 13 Estados brasileiros.

“A questão da valorização de nosso segmento passou a ser uma necessidade real, por isso, o alinhamento entre todos os representantes é de suma importância”, destacou Eurimilson Daniel, vice-presidente da Sobratema e mediador do congresso.

Marcus Welbi, da Associação Paulista dos Empreiteiros e Locadores de Máquinas de Terraplanagem e Ar Comprimido (Apelmat), fez coro. “Quero ressaltar o trabalho da Sobratema, que tem agregado associações e sindicatos, movimentando pessoas de todo o País. É algo que tem de ser feito e é um caminho sem volta”, afirmou.

O presidente da Apelmat, uma das entidades que apoiaram o evento, lançou a campanha “Rumo aos 50%”. “Pesquisas apontam que no exterior o índice de locação é de 70%, e somente 30% representam equipamentos próprios. Aqui no Brasil é exatamente o contrário. Por isso estamos iniciando essa campanha”, explicou. “A nossa meta é simpática, humilde até, de alcançarmos 50% de locação e 50% de maquinário próprio. Quando chegarmos a essa meta, vamos partir para 70%”, acrescentou.

A primeira palestra foi dada por Mário Humberto Marques, diretor da Alusa Engenharia. Ele falou sobre a ótica do cliente de locação de equipamentos no setor da construção. “Quando vocês tratam de um contrato, acreditam que a pessoa com quem falam é a única interessada no negócio. Mas isso está longe de ser verdade. O sucesso de qualquer empreendimento depende da participação de todos os interessados, que são chamados de stakeholders. Por isso é importante entender a expectativa dos que são os principais influenciadores e tomadores de decisão”, falou.

Ao detalhar a participação da locação no setor de construção pesada, Marques destacou que a demanda tende a aumentar em momentos de flutuações, com picos de mobilização determinados pelo cronograma de permanência do equipamento na obra. “Na construção pesada e infraestrutura, a locação atende a um percentual de 30% da necessidade de frota”, frisou. “Mas em projetos com duração maior justifica-se a aquisição do bem, pois uma parte importante do lucro vem do uso do equipamento próprio.”

Para o executivo, até 2015 haverá uma reorganização do setor, com um esforço acentuado de redução de passivos. Já a partir de 2016, deve ocorrer um desaparecimento acelerado de oportunistas, gerando um mercado mais competitivo. “Trata-se de um nicho de oportunidades no qual será preciso realizar desinvestimentos fora do core business, oferecer preços mais competitivos em relação ao custo próprio e demonstrar diferenciais competitivos, provando ao cliente que vale a pena locar, mesmo com um custo unitário maior.”

Marco Aurélio de Cerqueira, presidente do Sindicato das Empresas Locadoras de Equipamentos, Máquinas, Ferramentas e Serviços Afins do Estado de Minas Gerais (Sindileq-MG), lembrou a importância do setor. “A locação representa uma evolução da comercialização, além de ser vista como uma vantagem pelos clientes”, disse.

Indicadores relevantes

Paulo Esteves, diretor da locadora de equipamentos Solaris Brasil, traçou um comparativo do mercado brasileiro com seus similares europeu e norte-americano. Enfatizando a visão associativa, o executivo descreveu o diferencial que a extrema profissionalização de associações do setor representa para os locadores nos países desenvolvidos. “Na Europa e nos EUA, há uma ênfase muito grande no rigor analítico, de modo a criar fundamentos palpáveis para nortear a empresa”, observou. “E, em um mercado duro e competitivo como é o da locação, entender e interpretar corretamente os números de fato faz muita diferença.”

No Brasil, isso ainda não ocorre. Segundo Esteves, o setor trabalha com 350 indicadores, mas dificilmente se sabe qual deve ser utilizado em cada situação. Além disso, há acentuada dispersão entre as empresas, falta de parâmetros em termos de governança e fatores de desempenho que não são devidamente levados em consideração.

Fernando Augusto L. de Moraes, presidente da Associação Brasileira de Locadores de Equipamentos (Alec), enfatizou que o setor da locação precisa aumentar a profissionalização e considerar variáveis que impactam diretamente a atividade. “É o caso do transporte na locação de equipamentos de pequeno porte”, disse. “Devido a problemas de infraestrutura, o frete tem um alto custo no País”, sublinhou.

Petrônio Lopes Lobo, diretor da Associação Baiana das Empresas Locadoras de Máquinas e Equipamentos (Abelme), ressaltou que a inadimplência é um dos principais problemas enfrentados pelo setor. “Ela traz sérios problemas, isso porque causa um grave desbalanceamento do fluxo de caixa da empresa”, afirmou.

No campo legal

Outro tema importante relacionado ao cotidiano das empresas que atuam no setor foi abordado por Luiz Fernando Macedo, advogado da Apelmat: informação e segurança jurídica. “Há muitos riscos na locação com mão de obra, pouco benefício e inúmeros aspectos que envolvem a questão”, disse.

Segundo Macedo, é fundamental que o locador saiba de todos os dados possíveis antes do fechamento do contrato. “Deve-se fazer uma análise minuciosa de tudo. Essa fase pré-contratual é de extrema importância”, reiterou.

Em relação à tributação, há leis que visam à redução de alguns encargos. Essas regras devem ser lidas e aplicadas ao contrato antes que ele seja fechado. Depois, não há como voltar atrás e mudar; a obrigação tributária tem que ser paga. “Qualquer medida pós-contrato será considerada evasão fiscal.“

Para Macedo, é preciso conhecer claramente as regras para não ter prejuízo no futuro. “Se você não trabalhar para diminuir a participação desse sócio oculto que é o governo, ele vai comer seu lucro”, enfatizou. “É importante contar com uma assessoria jurídica e tributária, e a Apelmat oferece isso”, finalizou.

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